Através de ofícios enviados entre si, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e o Comando Nacional dos Bancários concordaram em retomar as negociações para chegarem a um acordo que ponha fim à greve da categoria, movimento que chega hoje ao sexto dia. No último sábado, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) enviou ofício à Fenaban pedindo a reabertura do diálogo.

Ontem, o diretor geral da federação, Wilson Roberto Levorato, e o superintendente de relações do trabalho, Magnus Ribas Apostólico, entregaram documento afirmando que a entidade cuidará de marcar data, hora e local “para que as representações de bancos e bancários trabalhem no sentido de firmar novo instrumento normativo que regule as relações de trabalho neste importante setor da economia brasileira”.

Segundo Marcos Lenharo, diretor do Sindicato dos Bancários em Bauru (filiado à Conlutas), a categoria aguarda a nova rodada de negociação com ansiedade. “Ainda não sabemos qual será o conteúdo dessa nova proposta que nos será apresentada, mas esperamos que seja suficiente para satisfazer os anseios dos trabalhadores”, comenta.

Na pauta de reivindicações, os bancários reafirmaram a exigência de 30% de reajuste salarial (referente à inflação do último ano, mais reposição das perdas salariais desde 1994) e participação nos lucros e resultados (PLR) de 25% do lucro líquido dos bancos, distribuída de forma linear a todos os trabalhadores, além de parcela adicional. Além disso, a categoria também solicita contratação de mais funcionários e preservação dos empregos em casos de fusões, melhores condições de trabalho e combate a metas abusivas, entre outros itens.

“Oferta medíocre”

Até o momento, os bancos ofereceram reajuste de 4,5% nos vencimentos e participação nos lucros de 4%, acrescida de um valor fixo de R$ 1.500,00. Após cinco rodadas de negociação, a proposta foi apresentada no último dia 17 pela Fenaban na tentativa de firmar a Convenção Coletiva de Trabalho 2009/2010, mas foi rejeitada pelos trabalhadores.

Para Lenharo, a oferta é considerada “medíocre”. “Há um descontentamento muito grande por parte dos trabalhadores. É inconcebível os banqueiros e um governo que administra bancos federais, que tiveram enorme crescimento patrimonial nos últimos anos, manterem essa postura intransigente”, critica.

Enquanto as partes não chegam a um consenso, o movimento grevista continua se fortalecendo na região e em todo o País. De acordo com informações do sindicato em Bauru, 940 dos 1.030 funcionários continuam com os braços cruzados na cidade e 33 das 48 agências bancárias estão fechadas.

Na região abrangida pela base sindical de Bauru, a paralisação se estende aos municípios de Santa Cruz do Rio Pardo, Avaré, Lençóis Paulista, Agudos, Fartura e Piraju, onde as instituições bancárias funcionam parcialmente. “O movimento aumentou muito nos últimos dias e não há como encerrar a greve sem que uma proposta decente seja apresentada”, observa o diretor do sindicato. No Brasil, estima-se que 5 mil bancos estejam com o funcionamento suspenso.

Antes da retomada das negociações com os bancos, no entanto, os bancários de Bauru se reúnem novamente hoje, a partir das 17h, na sede do sindicato, para avaliar a mobilização da categoria e discutir as ações de continuidade do movimento.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru

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