São Paulo – Ela chega lenta e sem alarde. Primeiro causa esquecimentos de fatos banais e recentes. Com o passar do tempo, altera a capacidade de raciocínio e modifica o comportamento, podendo levar até à morte, associada a outras enfermidades. É a doença de Alzheimer, descoberta no início do século 20 pelo médico Alois Alzheimer, e que recebeu os primeiros medicamentos em escala comercial há apenas uma década.

Os mitos em torno da enfermidade, a negação do paciente e da própria família e a falta de preparo dos médicos em fazer um diagnóstico preciso dificultam o tratamento da doença. Hoje, segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), somente entre 5% e 10% dos pacientes portadores da doença fazem o tratamento específico.

A doença de Alzheimer afeta pessoas de 40 a 90 anos, porém é mais frequente a partir dos 65 anos de idade. Ela provoca a morte do neurônio, atingindo principalmente a capacidade cognitiva do doente. Como a causa é desconhecida, não há formas seguras de prevenção e como a cura ainda não foi descoberta, o tratamento é realizado no sentido de frear o avanço da doença. O número de doentes de Alzheimer também é impreciso. A ABN estima que existam 2 milhões de pacientes no Brasil, mas o Ministério da Saúde fala em 1,2 milhão.

Para desmistificar a doença, a ABN realiza a Campanha de Conscientização da Doença de Alzheimer na próxima segunda-feira, dia 21 – que é dia mundial da enfermidade –, com a distribuição de panfletos informativos à classe médica e divulgação na imprensa. A coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da ABN, a médica Márcia Lorena Fagundes Chaves, ressalta que é importante que a sociedade deixe de relacionar o esquecimento à idade. “O esquecimento não é normal, o normal é você chegar na velhice com uma boa qualidade de vida”, afirma. O vice-coodenador do mesmo departamento, o médico Ivan Hideyo Okamoto, reconhece que a iniciativa ainda é tímida. “Somos uma gota no oceano, mas precisamos mudar esse pensamento”, acrescenta. Ambos concederam entrevista coletiva sobre Alzheimer na última terça-feira no Hotel Quality, em São Paulo.

Tratamento – Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores a chances de sobrevida do paciente com Alzheimer. O neurogeriatra e membro da ABN no Paraná Luiz Carlos Benthien lembra que a doença não é hereditária e que a confirmação se dá principalmente por entrevistas com pacientes e familiares, além de testes neuropsicológicos. Como outros males têm sintomas semelhantes ao Alzheimer, é importante que o profissional seja especialista na área de demência.

Os medicamentos estão disponíveis na rede pública, embora sejam pouco procurados. “Chega a vencer a validade, a procura é bastante baixa”, lembra a médica Marcia Chaves. Mesmo assim, o Ministério da Saúde alega que a procura vem aumentando. A partir da inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS), o governo federal passou a gastar de R$ 8,10 milhões em 2003 para R$ 63 milhões em 2008. Nas farmácias, os medicamentos para o controle de Alzheimer podem passar de R$ 400 a caixa.

Benthien afirma que o acesso ao tratamento é maior na região sul do país. “Se a média é de até 10% no Brasil, eu acredito que no sul chegue a 20%, porque isso tem muita relação com o perfil socioeconômico e o acesso à mídia”, informa. Somente Benthien atende 8 mil pacientes com doença de Alzheimer no Paraná entre os estágios leve e moderado da enfermidade.

Fonte: Portal RPC

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