A seleção argentina de futebol, abalada por quatro derrotas consecutivas e sob o risco de não se classificar para a Copa do Mundo da África do Sul, estava acéfala nesta terça-feira, após Diego Maradona viajar inesperadamente à Europa.

“Quem dirige a seleção?” – era a manchete de hoje do jornal Clarín.

Maradona viajou para passar uma ou duas semanas no Spa Henri Chenot, no norte da Itália, para fugir da crescente pressão, após a seleção cair para a zona de “repescagem” das eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2010.

Faltando apenas os jogos contra Peru, no dia 10 de outubro, em Buenos Aires, e Uruguai, no dia 14, em Montevidéu, a Argentina soma 22 pontos e ocupa apenas a quinta posição nas eliminatórias.

Com a viagem, Maradona fugiu da reunião convocada pelo presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, para analisar a difícil situação da seleção do país nas eliminatórias.

A reunião, cujo objetivo era impor a Maradona mudanças consideradas indispensáveis e dar maior espaço ao assessor técnico, Carlos Bilardo, aconteceu sem a presença do ex-craque.

Mas a situação ficou ainda mais complicada com a decisão de Bilardo de não assumir o lugar de Maradona.

“Até a volta de Maradona, você ficará à frente da seleção”, disse Grondona a Bilardo, que não aceitou a proposta para não “trair” o técnico ausente, segundo a imprensa local.

Segundo Bilardo, “não se pode ter duas pessoas na cabeça da seleção porque isto só vai confundir os jogadores”.

“Vou continuar assim: se Diego pergunta, eu respondo, se não, eu não me meto. As mudanças ele decide”, disse Bilardo ao justificar sua decisão.

Em outubro do ano passado, quando Maradona foi nomeado, Bilardo garantiu que estaria sempre a seu lado e que “também” seria “responsável” pelo que ocorresse com a seleção”.

Nesta sexta-feira, antes da inesperada viagem do técnico, Bilardo já havia manifestado seu apoio incondicional a Maradona ao dizer que apenas por força de “Jesus Cristo ou da Virgem Maria” ele sairia da direção técnica da seleção.

“Começou assim e vai terminar assim. Faltam dez dias e só vai sair se vierem Jesus Cristo ou a Virgem Maria”.

Desde sua chegada à seleção, em novembro de 2008, os críticos de Maradona apontam sua falta de experiência como técnico.

A imprensa argentina acusa Maradona de não ter um esquema tático definido e de não conseguir explorar ao máximo o futebol dos habilidosos Sergio Agüero, Carlos Tévez e, principalmente, Lionel Messi, um dos craques da atualidade.

Fonte: Agência France Presse

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