Ao tomar a decisão de dar encaminhamento a um pedido de impeachment contra a governadora Yeda Crusius, o presidente da Assembleia, Ivar Pavan, virou alvo de críticas dos deputados ligados ao governo. Se tivesse mandado arquivar o processo, Pavan continuaria sendo alvo de críticas, só que desta vez por parte do PT.

Em entrevista a Zero Hora, Pavan nega ter sofrido pressões e diz que a responsabilidade pela decisão é sua:

Zero Hora – O governo diz que o senhor tomou a decisão pensando com a cabeça da oposição, e não como um magistrado. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Ivar Pavan– Tomei uma decisão orientada pelos fatos que estão contidos no processo. Não estou preocupado com a repercussão na situação nem na oposição. Estou preocupado com o interesse público.

ZH– O senhor rompeu a tradição de arquivar pedidos de impeachment na Casa como dizem integrantes da base aliada?

Pavan– O que é inédito não é romper a tradição. Inédito é o esquema de corrupção descoberto no Rio Grande do Sul. Inédito é o conteúdo que sustenta a denúncia do processo de cassação. Jamais ocorreu no Estado a denúncia de um esquema como esse para desviar dinheiro público, que envolvesse tantas pessoas. Tive a responsabilidade de analisar a relação da governadora com esse esquema de corrupção. Isso não existiu antes. Por isso, a decisão foi essa. A análise do mérito será feita pelo plenário.

ZH – O senhor chegou a pensar em não dar seguimento ao pedido?

Pavan– O tempo todo eu estava fazendo uma análise para saber se pediria arquivamento ou se pediria o prosseguimento. A conclusão foi de dar prosseguimento, que é aquilo que a lei determina diante da situação encontrada no processo.

ZH– O senhor foi pressionado pelos deputados do seu partido a tomar essa decisão?

Pavan– Não. Mesmo que eles pressionassem, não adiantaria. Quando foi na composição da CPI, a bancada foi até a Justiça para disputar uma interpretação do regimento (para buscar a ampliação no número de vagas da oposição) e eu mantive a minha posição confirmada na Justiça (o que garantiu a manutenção da maioria governista na comissão). A decisão da presidência é autônoma. Tenho a responsabilidade sobre essa decisão.

ZH – Se o senhor não tivesse tomado essa decisão, haveria clima para continuar no PT?

Pavan– Seguramente teria. Se não tivesse fundamentação suficiente para dar prosseguimento, eu teria deliberado pelo arquivamento e continuaria sendo petista até o fim, até quando quisesse ser.

ZH– Em que momento o senhor formou a convicção de que era preciso dar seguimento ao impeachment?

Pavan– Ao verificar uma relação de 26 situações diferentes que aparecem nas sindicâncias internas do governo, na Operação Rodin, na CPI do Detran, na denúncia do Ministério Público Federal e no depoimento do Sérgio Buchmann, ex-presidente do Detran. Olhando tudo, me convenci de que não havia outra alternativa.

Fonte: Click Rbs