Um artigo publicado ontem na revista «Science» dá a conhecer dois anticorpos que conseguem neutralizar o vírus da SIDA. Esta importante descoberta poderá conduzir à tão esperada vacina contra esta doença que afecta mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

Esta é a primeira vez que o vírus HIV revela vulnerabilidade. Os anticorpos que a provocam chamam-se PG9 e PG16 e são os primeiros do género identificados em mais de uma década. São também os primeiros a serem isolados em doadores de países em vias de desenvolvimento, onde ocorrem a maior parte dos casos.

Os anticorpos foram descobertos em amostras de sangues de 1800 doadores infectados de sete países a sul do Sahara, da Tailândia, Austrália, Reino Unido e estados Unidos da América.

As amostras foram analisadas por laboratórios da IAVI (International AIDS Vaccine Initiative) e pelo Instituto Scripps, em Nova Iorque. Os cientistas desenvolveram um novo teste por ensaio de microneutralização que abriu novas vias para o estudo.

Segundo as investigações, os anticorpos PG9 e PG16 atacam a parte do HIV que infecta as células e que contém as glicoproteínas, para neutralizar um ataque imunológico. A acção dos dois anticorpos centra-se em regiões do vírus que não se modificaram, o que explica a sua ampla capacidade de neutralização.

Estes anticorpos são os mais potentes descobertos até à data pois atacam um ponto novo, potencialmente mais acessível, do HIV, o que facilita o desenvolvimento de uma vacina.

Artigo: Broad and Potent Neutralizing Antibodies from an African Donor Reveal a New HIV-1 Vaccine Target.

Fonte: Portal Ciência Hoje