Antônio Ferreira de Castro, 46, servente não alfabetizado, nunca tinha aberto uma conta e só comprava à vista. No dia em que precisou abrir uma conta na Caixa Econômica Federal veio a surpresa.

“Cheguei ao banco com todos os meus documentos originais e falei com o gerente. Quando ele olhou lá no computador disse que eu não podia abrir uma conta porque já tinha uma naquele banco. Ele falou também que tinha um monte de cheque meu sem fundo e até que eu estava devendo empréstimo ao banco. Foi aí que todo o meu problema começou”, contou.

O relato do cliente aconteceu, ontem de manhã na Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), perante o seu titular, delegado Jaime Paula Pessoa Linhares.

Antônio disse que se defendeu, informando ao gerente que nunca havia comprado “nem uma vela com cheque”, e que nunca tinha pego dinheiro emprestado. Mas não era isso que a ´ficha´ dele no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostrava.

“Abriram conta em meu nome na Caixa Econômica Federal, no Bradesco, no Itaú, e até em banco que eu nem conheço. Fiquei sabendo também que tem dívida em meu nome em várias lojas da cidade”, disse o servente.

Além de tudo isso, empréstimos e financiamentos foram feitos com cópias de documentos de Antônio. “Nunca perdi documento, nunca fui roubado”, disse ele à Polícia, fortalecendo a hipótese de que o servente tenha sido vítima de fraude por alguém que conhecia. “Eu estou me sentindo preso. Não posso comprar, não posso ter conta, minha vida toda agora é correr atrás desse prejuízo que eu não fiz”, desabafou.

Investigação  – Um inquérito policial foi instaurado na DDF para apurar o golpe contra o servente. De acordo com o delegado Jaime Paula Pessoa, casos como o de Antônio são registrados com freqüência pela Especializada.

“Temos entre três e cinco queixas como esta por dia”, relatou. Quando a investigação de um casos desse é concluída e a fraude confirmada, o fato é comunicado aos bancos e ao SPC para que a vítima seja reabilitada.

Fonte: Diário do Nordeste

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