“A partir de sexta-feira os artesãos que até ontem trabalhavam na Beira Mar vão expor na Praça Cristo Redentor, atrás do Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar e ao lado da avenida Monsenhor Tabosa. A assessoria de imprensa da Secretaria Executiva Regional (SER) II anunciou o local no domingo à noite e disse que a “instalação vai ser lenta e gradual”.

O Sindicato dos Artesãos Autônomos do Estado do Ceará (Siara) vem fazendo a seleção de quem se candidata a ocupar o novo espaço. Por enquanto, 179 artesãos participaram da curadoria. Nas contas da Prefeitura, 547 ambulantes trabalhavam sem permissão na Beira Mar.

O prazo para que deixassem de expor no calçadão terminou ontem. Os artesãos distribuídos em pequenos grupos em frente ao Náutico, à lanchonete Bebelu e ao Anfiteatro Flávio Ponte esperavam tranquilamente a transferência para o novo local, até então desconhecido por eles.

“Quando fomos tirados do aterro (da Praia de Iracema) na época da reforma, nos avisaram que esse lugar na Beira Mar era provisório e que iríamos para outro local depois”, diz Elias Cavalcante, 33.

Quem não aceita a retirada são os feirantes que trabalham com confecção na feirinha montada em frente ao Náutico. Eles não podem ser transferidos para a Praça Cristo Redentor porque não são artesãos. A alternativa apresentada é o aluguel num galpão no Centro, mas os feirantes não querem pagar.

“Quando nos tiraram do calçadão, a própria Regional II disse que podíamos ocupar essa área. Ninguém invadiu”, reclama Anderson de Resende, presidente da Associação dos Feirantes da Grande Fortaleza (AFGF). Depois de quatro anos, a feira abriga 150 expositores. A chegada crescente e constante de novos feirantes, de acordo com a assessoria da SER II, tornou inviável manter a feira na Beira Mar.

Lúcia Brito, 27, que trabalhava ali, está deitada num caixão em greve de fome desde às 19 horas de sábado. “A Prefeitura nos usou na política. Disseram que tínhamos esse espaço e agora querem nos tirar sem outra opção”, explica, num choro misto de constrangimento e raiva.”

(Jornal O POVO)