Os governo de Honduras fechou emissoras de rádio e de TV desde que um golpe duramente criticado por toda a comunidade internacional tirou do poder o presidente Manuel Zelaya, que foi eleito, e empossou o presidente interino Roberto Micheletti. Nesta segunda-feira, entidades internacionais de proteção à liberdade de imprensa protestaram.

De acordo com a agência de notícias Reuters, logo depois de surpreender o presidente em casa e enviá-lo para a Costa Rica, os militares hondurenhos invadiram a emissora de rádio mais popular do país e cortaram o sinal local da rede de TV americana CNN em espanhol e da venezuelana Telesur. Outro canal, considerado pró-Zelaya, também foi fechado.

Nas poucas rádios e TVs que continuam em operação são transmitidas músicas e novelas ou programas de culinária, e as menções à crise política que vive o país são esparsas.

Nesta segunda-feira, a venezuelana Telesur denunciou que sua equipe, que transmite quase ininterruptamente a partir dos arredores do palácio presidencial, foi ameaçada de prisão por militares hondurenhos. De acordo com a emissora, sob essa ameaça de prisão, os militares pediram que jornalistas, câmeras e técnicos da TV se desalojassem e interrompessem suas transmissões via satélite.

Testemunhas entrevistadas pela TV venezuelana perto do palácio afirmaram haver ao menos um manifestante morto nos confrontos.

Militares também invadiram os dois principais jornais de Honduras, mas os sites de ambos na internet continuam no ar porque eles são favoráveis ao golpe. “O ‘El Heraldo’ e o ‘El Tribuno’ são parte do golpe. Eles e alguns canais de TV são controlados pela oposição. Nesta manhã, esses eram os únicos canais em funcionamento”, disse Erin Matute, 27.

Na noite desta segunda-feira, o “El Heraldo” destacava, em sua página principal, a posse dos cinco ministros nomeados pelo presidente interino e a “luta” do país “contra a ilegalidade”. Já o “El Heraldo” destacava os confrontos entre manifestantes e militares no palácio presidencial, na capital Tegucigalpa, e os relatos de que havia ao menos 20 feridos.

Durante os protestos, alguns hondurenhos depredaram bancas que vendiam exemplares do “Heraldo” e outros usaram os pacotes de jornais para bloquear as ruas que levam ao palácio.

O Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês) manifestou preocupação quanto à informação de que vários meios de comunicação do país estão fora do ar desde a chegada de Micheletti ao poder. Outra organização, Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), também registrou limitações no trabalho dos meios de comunicação.

“Há evidências da suspensão temporária de sinais de rádio e da TV estatal, assim como de outras cadeias internacionais privadas, e de vários atos de agressão contra jornalistas e as instalações físicas de alguns meios de comunicação”, disse, em nota, o presidente da SIP, Enrique Santos Calderón.

Fonte: Folha Online

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