SÃO PAULO – A enorme destruição de riqueza promovida pela crise financeira internacional diminuiu o número de brasileiros que tem mais de US$ 1 milhão em investimentos financeiros em 2008. Segundo levantamento feito pela Capgemini e pelo Merrill Lynch, a baixa foi de 8,4% em comparação com 2007, para 131 mil indivíduos.

Apesar de forte, a retração no número de “High Net Worth Investors” (HNWI) por aqui foi menor que a queda de 14,9% observada no mundo todo. Com isso, o Brasil ganhou duas posições no ranking mundial e passou a ocupar a 10ª posição em número de investidores de grande porte, passando a frente da Austrália e da Espanha.

Apesar do melhor desempenho em comparação com o resto do mundo, a redução no número de HNWIs no Brasil foi maior que a média da América Latina (-6%) e de países vizinhos como México e Colômbia, onde a perda de valor das ações foi menor.

Segundo o relatório, as quedas na America Latina foram menores em função do perfil dos grandes investidores, que são mais conservadores e têm grande fatia de seus recursos em renda fixa.

No mundo, número de milionários caiu 14,9%

No mundo, por sua vez, o total de milionários caiu 14,9% no ano passado, totalizando 8,6 milhões de pessoas, conforme pesquisa. A riqueza detida por esses indivíduos tombou 19,5% entre 2007 e 2008, para US$ 32,8 trilhões. Com esse resultado, o nível de riqueza do mundo voltou para o índice registrado em 2005.

Para entrar na pesquisa, a pessoa precisa ter ativos de ao menos US$ 1 milhão, incluindo sua residência.

Ainda segundo o estudo, a redução do tamanho das fortunas foi maior entre os mais ricos, classificados como ultra-milionários, com investimentos de mais de US$ 30 milhões. Entre 2007 e 2008, houve queda de 24,6% no número de indivíduos nesta classe, que engloba agora 78 mil pessoas.

Apenas esses ultra-milionários possuíam US$ 11,4 trilhões em investimentos ao final do ano passado, volume 23,9% menor que em 2007.

Do total de milionários, 2,7 milhões estão na América do Norte, 2,6 milhões na Europa e 2,4 milhões na região da Ásia-Pacífico. Na América Latina são cerca de 400 mil, mesmo número do Oriente Médio. Na África, são 100 mil milionários.

No dados regionais, é importante ressaltar que, enquanto houve queda de 19% no número de milionários na América do Norte e de cerca de 14% na Europa e na África, houve estabilidade na América Latina (-0,7%).

Entre os 78 mil ultra-milionários, 30,6 mil estão na América do Norte, 18 mil na Europa e 14,3 mil na região da Ásia e Pacífico. Na América Latina, são 9,8 mil ultra-milionários, número que cai para 3,5 mil no Oriente Médio e para 1,8 mil na África.

Fonte: O Globo

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