A Comissão Eleitoral Iraniana divulgou a vitória no primeiro turno do atual presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Os votos dos outros três candidatos não totalizaram os 50% necessários para que houvesse um segundo turno eleitoral.

Ahmadinejad obteve o dobro de votos do segundo colocado, o reformista ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi.

O resultado ainda precisa ser referendado pelo Conselho dos Guardiões.

Contestação – Antes mesmo de as unas serem fechadas, Mousavi já havia sugerido que contestaria a eleição. Após a divulgação da vitória de Ahmadinejad, Mousavi apelou ao aiatolá Ali Khamenei para que reveja os resultados.

A confusa e tensa atmosfera durante a apuração veio depois de um longo dia de votação –o prazo de abertura das urnas foi prorrogado seis horas devido à grande participação. A afluência de eleitores era vista como uma vantagem para Mousavi, cujo eleitorado é formado principalmente por jovens, mulheres e pela população urbana.

Ao longo do dia, houve preocupações de que as poderosas instituições islâmicas do país estivessem usando seu poder de pressão contra os apoiadores de Mousavi.

Durante a votação, mensagens de texto –uma ferramenta-chave da campanha do reformista– foram bloqueadas, assim como alguns sites pró-Mousavi. Oficiais de segurança advertiram que não vão tolerar reuniões ou comícios políticos antes da divulgação dos resultados finais.

O presidente era considerado imbatível até o início da campanha, mas uma grande mobilização em torno de Mousavi, principalmente de jovens, mulheres e da população urbana, embaralhou o processo de sucessão.
Ahmadinejad, favorito na zona rural, contou com o apoio de setores conservadores e é visto como o preferido de setores organizados que normalmente votam em bloco, como o Exército e a Guarda Revolucionária.

Os dois principais opositores protagonizaram uma campanha agressiva, com acusações mútuas de manipulação de dados. Em um inédito debate, assistido por mais de 40 milhões de pessoas, Mousavi disse que o presidente mentia sobre os dados da economia para esconder a inflação resultante do que chamou de incompetência para administrar o país. Ahmadinejad reagiu e disse que os aliados do opositor –como o ex-presidente e chefe do Conselho de Discernimento, Akbar Rafsanjani– enriqueceram por meio da corrupção.

Os dois também discordaram sobre a política externa. Mousavi acusou o presidente de isolar internacionalmente o país ao negar o holocausto. Mas os quatro concorrentes concordaram em manter o programa nuclear do país, oficialmente com fins de produção de energia. Os Estados Unidos acusam o país de estar tentando desenvolver armas nucleares.

Fonte: Folha Online

Anúncios