Roubos via internet crescem e bancos querem responsabilizar provedores

A Polícia Federal, em sua maior operação no ano, prendeu 76 pessoas por uma série de fraudes financeiras cometidas via internet. A ação dos criminosos evidencia o descaso dos banqueiros com a segurança virtual, que, segundo a própria federação dos bancos (Fenaban) gera desvios de até R$ 1 bilhão ao ano.

No final de 2008, a Microsoft colocou o Brasil na sexta posição no ranking mundial de ataques de “malwares” (softwares malignos), cujo principal objetivo é roubar logins e senhas de banco. No primeiro semestre daquele ano, o número de ataques cresceu 92% no país em relação a 2007, contra aumento de 43% na média do resto do mundo.

Também no fim de 2008, um levantamento realizado por especialistas em Direito na internet e divulgado pelo site Espaço Vital, mostrou que o número de decisões judiciais envolvendo problemas virtuais superaram 17 mil contra apenas 400 de 2002, aumento em mais de 4.000% em aproximadamente seis anos. Grande parte destes crimes, ainda segundo o estudo, decorre da falta de segurança bancária.

“Não é difícil relacionar esses números com a facilidade que os criminosos têm em assaltar o chamado mundo virtual. E aumento de segurança está ligado diretamente a investimentos. Portanto, se não é difícil praticar esses crimes é porque não há investimento suficiente”, diz o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino.

Reponsabilidade – Além das evidências de falta de investimento, os bancos usam a velha técnica de empurrar a responsabilidade de um problema seu para terceiros. Para escapar das indenizações cobradas na Justiça por clientes roubados, lançaram mão recentemente de seu lobby no Congresso Nacional para apresentar, por meio do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), um projeto de lei que deve favorecer o sistema financeiro no caso de fraudes online. A proposta, já aprovada no Senado, dá brechas para que os provedores de internet tenham de arcar com o ressarcimento aos clientes lesados pelas fraudes.

Segundo o projeto, empresas de todos os portes e provedores de internet terão de armazenar os registros de acesso por três anos. Quem não cumprir a obrigação pagará multa que vai de R$ 2 mil a R$ 100 mil, independentemente do ressarcimento por perdas e danos às vítimas de golpes.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o senador negou qualquer favorecimento aos bancos. Mas o jornal lembrou que a Scopus – empresa do Bradesco que cuida da infra-estrutura de internet banking do grupo – doou R$ 150 mil à campanha de Azeredo nas eleições de 2002.

Fonte: Seeb São Paulo

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