SÃO PAULO – Mais três helicópteros chegam a Cocal, no Piauí, nesta sexta-feira para reforçar as buscas e ajudar no resgate de vítimas do rompimento da barragem de Algodões, a cerca de 260 km de Teresina. Os 50 bilhões de litros d’água que formaram a enxurrada sobre as cidades de Cocal e Buriti dos Lopes devastaram uma área equivalente a 32 campos de futebol. Pelo menos 500 casas foram destruídas. Em menos de uma hora, toda a água represada desapareceu. Quatro mortes foram confirmadas até agora pelo governo do estado, mas há informações de que nove pessoas teriam morrido. Mais de uma dezena de pessoas estão desaparecidas. (veja fotos).

Plantações foram destruídas e casas inteiras, arrastadas pela enxurrada. Três mil pessoas tiveram que ser encaminhadas para abrigos, à maioria perdeu tudo. Os quatro corpos foram localizados em área próxima à barragem, mas a água atingiu 20 metros de altura e a força pode ter arrastado as vítimas para lugares mais distantes.

Com a ajuda de helicópteros, 120 homens do Corpo de Bombeiros passaram o dia fazendo buscas por sobreviventes.

– As meninas estavam dormindo e aí à gente foi acordar as crianças. Não deixaram à gente pegar nada, só viemos com a roupa do corpo – conta a dona de casa Claudina da Silva.

Muitas pessoas tiveram de se refugiar no alto dessas serras. As equipes do Corpo de Bombeiros têm dificuldade para localizar essas pessoas, devido à grande extensão da área e da chuva que continua caindo na região.

– Estamos com o terreno muito encharcado, tem muito lamaçal. Então está dificultando o transporte de material para a margem e para o nosso pessoal se deslocar também – afirma o capitão dos Bombeiros, Sérgio Melo.

As vítimas fatais são, segundo o governo do Piauí, são Francisca Maria Pereira, de 10 anos; Maria Tainara dos Santos, de 12; João Alves dos Santos, de 72 anos; e Francisca das Chagas dos Santos, de 73.

Cerca de 2.500 famílias – 10 mil pessoas – que moram em áreas próximas à Barragem, em Cocal da Estação e Buriti dos Lopes, tinham começado a retornar a suas casas na última sexta-feira. Elas haviam sido retiradas no começo do mês justamente por conta do risco de rompimento da barragem, que havia sangrado.

– Só tinha visto uma vez num filme o que aconteceu ontem aqui – disse um morador da região ouvido pelo Jornal Hoje

Cerca de 100 bombeiros e policiais militares atuam no resgate com lanchas e cinco helicópteros sobrevoam o percurso de 50 Km do Rio Pirangi.

Ambulâncias foram deslocadas para a região e o governador pediu plantão permanente no Hospital de Urgência Dr. Zenon Rocha, em Teresina, e reserva de leitos no maior hospital do estado, o Getúlio Vargas, para receber possíveis feridos.

– Foi um verdadeiro tsunami – disse o governador do Piauí, Wellington Dias.

De acordo com os números da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), até esta quarta-feira o Piauí registrava 91.634 desabrigados ou desalojados, com 41 cidades atingidas.

Fonte: Folha Online

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