Vou voltar ao tema das eleições de 2010, da tática do PT e da política de alianças, apoiado na pesquisa encomendada pelo partido, da Vox Populi, publicada essa semana. Excelente para o PT, a pesquisa nos dá o cenário atual da disputa para a presidência e para o governo dos principais Estados do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul.

A primeira conclusão é que a candidatura Dilma Rousseff se consolidou não apenas no PT, mas no eleitorado brasileiro. Já passou de 20% e está empatada com Aécio Neves e Ciro Gomes. A segunda é que por ser do Sul, do Rio Grande, Dilma tende a crescer e tirar a vantagem que a oposição construiu naquela região do país desde nossa vitória em 2002. A terceira é que ela ainda tem muito para crescer no Nordeste e no Norte e em todo país: 54% dos eleitores ainda não sabem que Dilma é apoiada pelo presidente Lula.

Mas a eleição não é só nacional, é também estadual, e tem importância para consolidarmos nossas alianças não só com o PMDB, que hoje governa 7 Estados; mas também com o PSB, que governa 3 Estados, o que nos leva à necessidade de fazermos alianças com esse partido em Estados prioritários ou, no mínimo, construir dois palanques.

A pesquisa chama atenção para a situação de São Paulo, onde o PMDB já apóia o PSDB (que também tem apoio do DEM e do PTB-PPS-PV) e o PT ainda não tem candidato e uma aliança. Mesmo não sendo boa sua situação nas pesquisas, o PT tem uma base eleitoral de 35% dos votos. Também conta com a disputa entre os tucanos Gilberto Kassab, Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes Ferreira na base do governo Serra e com a promessa de candidatura única ao senado à Orestes Quércia que não se sustentará.

Neste contexto, Minas Gerais passa a ser a principal questão para nossa vitória em 2010. Aécio Neves pode ser candidato ao senado, apoiando seu vice Antonio Augusto Anastasia; ser vice de José Serra; ou mesmo sair do PSDB, renunciando o mandato em setembro dentro do prazo da legislação eleitoral. Para nós, do PT, a pior hipótese é sua candidatura a vice, o que poderia inclusive nos levar a uma aliança em Minas com o PMDB, mesmo não tendo a cabeça de chapa. Vale lembrar que hoje, a situação em Minas é de disputa interna no PT, entre duas correntes lideradas por Patrus Ananias e Fernando Pimentel, respectivamente. Apesar do bom resultado nas pesquisas para nós – mas que são encabeçadas por Hélio Costa senador e ministro do PMDB, nosso aliado – unidos temos chances reais de vencer as eleições.

No Rio de Janeiro, caminhamos para a consolidação da aliança com o PMDB e Sérgio Cabral, temos grandes possibilidades de um palanque forte e com chances de reeleger o governador e eleger um senador e do PT.

Já na Bahia, a situação não é fácil. Se é fato que o governador Jaques Wagner tem todas as condições de se reeleger, a crise na aliança com o PMDB que se aproximou do DEM, o PSDB, por sua vez, pela primeira vez na história do Carlismo na Bahia, tende a uma aliança com o ex-pefelistas, o que acende uma luz de alarme.

No Rio Grande do Sul, o PMDB está à cavaleiro para construir uma aliança com o PSDB (dado o desgaste de Yeda Crusius); ou com o bloco PDT-PSB-PC do B e com apoio do PTB, que poderia apoiar ou não Dilma Rousseff. O PT fica com uma candidatura forte (mais de 30% de votos), mas isolado para o segundo turno.

Se acrescentarmos a esses cenários as dificuldades que temos com o PMDB no Pará,Tocantins e no Mato Grosso do Sul e a oposição deste partido ao governo Lula em São Paulo, Pernambuco, Acre, Santa Catarina, veremos que apesar da real possibilidade de alianças nos Estados de RJ, GO, RO, PR, AL, SE, CE, PI, MA, AP, AM, ES, PB, RN, será nos estados de Minas, Rio e Bahia que decidiremos o futuro da aliança nacional.

Junto ao PSB, sem desconsiderar a pré candidatura de Ciro Gomes, temos grandes chances de consolidar a aliança nacional com coligações nos Estados governados por esse partido: Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte; e podemos montar palanques ainda na Paraíba. Agora, tanto para o PSB, como para o PDT, o PC do B, o PR e mesmo o PMDB, contará também a eleição para o Senado e a Câmara dos Deputados, o que para o PT é decisivo e fundamental para a governabilidade no próximo governo.

A preferência nacional pelo PT de 29% dos eleitores permite ao partido eleger uma grande bancada de deputados e senadores. Assim, fica clara a necessidade de priorizar a eleição nacional, a de presidente e de senadores e deputados; e de construir palanques nos Estados, possivelmente tendo o PT que abrir mão de candidaturas legítimas e naturais, em nome do projeto nacional e da maioria no Congresso Nacional.

José Dirceu é ex-ministro da Casa Civil

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