ARACATI – A comunidade de Tanque Salgado, distante sete quilômetros da sede do município de Aracati, no litoral leste do Ceará, descobriu uma nova vocação: o artesanato. Há até pouco tempo, as famílias do local viviam apenas da agricultura e de benefícios de programas governamentais, como o Bolsa Família. Mas desde 2007 essa realidade mudou. Principalmente para as mulheres, que antes praticamente não tinham nenhuma ocupação. Hoje, orgulhosas do trabalho que fazem, ela têm renda própria e contribuem para o sustento das famílias.

A mudança começou quando a Associação dos Trabalhadores de Tanque Salgado resolveu procurar o Sebrae/CE em busca de uma alternativa de ocupação e renda para a comunidade. Foi feito então um diagnóstico das potencialidades da região e identificou-se a existência em abundância de taboa, uma planta que cresce às margens da lagoa de Tanque Salgado. Considerada uma praga, a planta era queimada e inutilizada.

De acordo com o articulador do escritório do Sebrae/CE em Aracati, Carlos Paulino, a partir daí foi feito um trabalho de sensibilização para a organização e fortalecimento do grupo e em seguida começaram as capacitações técnicas para a produção de peças a partir da taboa, cursos em associativismo, design, precificação, atendimento ao cliente e preparação de agentes comerciais para a venda dos produtos.

“Os resultados são animadores. Toda a comunidade se envolveu e a determinação e o talento até então escondido dessas mulheres gerou um excelente trabalho. O foco agora é preparar as peças para a participação em eventos comerciais”, diz Carlos.

Atualmente, 17 mulheres da comunidade de Tanque Salgado trabalham com o artesanato da palha da taboa. A presidente da Associação dos Trabalhadores, Arlete Albuquerque Santos, conta que antes do trabalho artesanal essas mulheres quase não tinham ocupação. “A gente passava o dia em casa, só cuidando dos filhos, vendo o dia passar. Hoje nos sentimos realmente produtivas, trazemos dinheiro para casa e isso é muito bom”, afirma.

De acordo com ela, as mulheres achavam, no início, que não tinham vocação artesanal e que por isso o negócio não daria certo. “Não tínhamos perspectiva de futuro. Não sabíamos fazer uma trança em cabelo. Agora a gente já trança a palha e faz várias peças. Acreditamos tanto no nosso trabalho que sonhamos até em exportar”.

Nas mãos das artesãs, a palha da taboa transforma-se em bolsas, cestos, jogos americanos, luminárias, porta-vinhos, bandejas e até móveis. A idéia é, aos poucos, ir ampliando o mix de produtos.

O articulador do Sebrae/CE, Carlos Paulino, lembra que a Instituição está de portas abertas para receber e dar informações a grupos como o de Tanque Salgado. “Nós temos uma equipe de técnicos capacitados para colaborar da melhor maneira possível. O escritório de Aracati está à espera da visita de novos grupos que queiram crescer e ganhar competitividade”, convida.

Fonte: Dci.com.br