Eis artigo assinado pela jornalista Adísia Sá no O POVO desta terça-feira. Ela lamenta a atitude tomada por grupo de alunos que invadiu, na semana passada, a reitoria da UFC em protesto contra a criação de 19 novos cursos “sem abrir debate”. Confira:

Acreditei na informação: estudantes da UFC invadem a Reitoria gritando palavras de ordem contra a criação de novos cursos. E fui tomada de profunda tristeza e de incontida indignação. Tristeza pelo espetáculo: confronto entre seguranças e universitários. Um grupo agressivo, forçando ingresso onde o bom senso indica o caminho do diálogo, trazendo o propósito de impedir que órgãos deliberativos da Universidade aprovassem a criação de mais cursos. Órgãos nos quais, em todas as instâncias, estão representantes dos alunos, por eles escolhidos e eleitos.

Indignação por testemunhar a reação retrógrada, reacionária de jovens tentando fechar as portas a moços, iguais a eles, desejosos de chegar aos bancos universitários.

E pensei: se tivessem sido vitoriosos movimentos iguais a esse, no passado, e a Universidade não ousasse na sua expansão, onde estariam, agora, esses jovens que renegam a ampliação do acesso à universidade pública? Onde estariam os milhares de graduados da UFC, com qualificação que lhes deu condições e direitos de exercerem as mais diversas profissões?

Mais alunos, mais vozes nos diretórios acadêmicos por melhores condições de ensino. Mas, não. A bandeira desses contestadores deve ser: quanto menos somos, mais empregos teremos à nossa disposição.

Esses teóricos juram que defendem a liberdade, a igualdade, tirando da “burguesia” os privilégios e as regalias…Creio no diálogo como o melhor caminho para a manifestação de pontos de vista que se contrapõem. Nada se constrói no grito, principalmente num ambiente no qual o contraditório exige fundamentos e discussões para se chegar aonde se quer. Não será isso possível?

Adísia Sá – Jornalista
adisia@opovo.com.br

Fonte: Blog do Eliomar

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