Os medicamentos genéricos avançam na preferência dos consumidores cearenses e já respondem por 15% do total de unidades comercializadas no Estado. A boa aceitação está no preço — 35 a 40% mais barato do que o remédio referência. Inclusive, em alguns tipos de antibióticos, a diferença pode chegar a 60%, de acordo com Maurício Filizola, presidente do Sincofarma (Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará).

Mas, Filizola salienta que esse percentual poderia ser mais agressivo, se estes produtos fossem prescritos com mais regularidade. ´A nossa expectativa é que os médicos viessem a prescrever as duas opções (genérico e referência) para facilitar na hora da compra. O resultado seria muito mais positivo, uma vez que é uma forma do consumidor buscar economia e segurança´, destaca.

De acordo com presidente do Sincoforma, o consumo de genéricos no Ceará vem acompanhando o crescimento da venda deste tipo de produto no Brasil. ´Em 2008, do total de medicamentos comercializados no País, 13% foram baseados no princípio ativo. Atualmente, o percentual já varia de 18% à 20% e a tendência é de aumentar´, comenta. Segundo ele, o Estado já responde por 2,7% do total da venda nacional. Neste contexto, Filizola afirma que, atualmente, é impossível um estabelecimento farmacêutico sobreviver sem a venda dos genéricos. ´No nosso Estado, todas as redes de farmácias dispõem do produto ao consumidor´, salienta.

Desde fevereiro de 2000, quando foi iniciada a produção de medicamentos genéricos no País, mais de 300 princípios ativos foram colocados à disposição no mercado farmacêutico. ´São produtos seguros e com a mesma eficácia dos de referência, até porque para serem concebidos são exigidos testes de bioequivalência e biodisponibilidade — o que comprova que são idênticos e que podem ser consumidos sem riscos´, avalia Maurício Filizola.

´Quero enfatizar que o produto é confiável e que a população pode economizar bastante se na hora da compra optar pelo genérico. Consulte o farmacêutico, que fornecerá as orientações que o consumidor precisa; é uma forma legal de trocar o receituário´, aconselha o presidente do Sincofarma. É fato que a introdução de medicamentos genéricos no mercado brasileiro contribuiu para a oferta de remédios a preços menores. Entretanto, a procura pelo produto não provocou, por outro lado, a redução nos preços da maioria dos medicamentos de referência.

FIQUE POR DENTRO – Porque a troca pelo genérico é possível

Um medicamento genérico possui a mesma substância ativa, forma farmacêutica e dosagem e igual indicação que o original, de marca. E principalmente, são intercambiáveis em relação ao remédio de referência, ou seja, a troca pelo genérico é possível. É mais barato porque os fabricantes de genéricos, ao produzirem medicamentos após ter terminado o período de proteção de patente dos originais, não dão cobertura aos efeitos colaterais que são os custos inerentes à investigação e descoberta de novos remédios. Assim, podem vender o produto com a mesma qualidade da patente a um preço mais baixo do que o original.

Os medicamentos genéricos devem possuir em suas embalagens uma tarja amarela com um ´G´ de Genérico e os seguintes dizeres: Medicamento Genérico – Lei de número 9.787/99´ e por extenso o nome do princípio ativo. Qualquer medicamento: de marca, similar ou genérico – exceto os de venda livre – deverão ser vendidos mediante prescrição médica. No serviço público de saúde – SUS, os profissionais têm a obrigatoriedade de elaborar a receita com a denominação genérica.

No serviço privado de saúde, a prescrição fica a critério do médico responsável, podendo ser realizada sob nome genérico ou comercial. Caso o prescritor tenha ressalvas quanto a substituição, deve explicitá-las no próprio receituário, de próprio punho, de forma clara, legível e inequívoca.

Isildene Muniz – Repórter
Fonte: Diário do Nordeste
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