A mudança brusca na economia está impondo variáveis nas negociações entre empresários e trabalhadores. Algumas categorias anteciparam o debate e já fecharam os acordos coletivos, mas a maioria começa as negociações com expectativa de aumentos reais de salários, mesmo diante da crise mundial, com impactos diretos nas economias brasileira e gaúcha. As campanhas têm o desafio de manter a massa salarial dos trabalhadores e, sobretudo, o emprego.

Um dos mais representativos sindicatos do Estado, o dos metalúrgicos, tem agendada para esta semana a primeira rodada de negociação. O argumento que será usado pelos trabalhadores é de que as empresas têm margem para negociar. “Queremos renovar as atuais cláusulas do acordo coletivo e manter os ganhos reais obtidos nos últimos anos”, destaca o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre e Região, Claudir Néspolo.

A categoria pede reposição da inflação do período entre maio de 2008 e abril de 2009, medida pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC) e calculada em 5,83%, mais o ganho de produtividade das empresas no período, totalizando pelo menos 10% de reajuste.

Em 2007 e 2008, os metalúrgicos conseguiram ganhos reais de 2,5% ao ano. Néspolo deixa claro que a categoria não aceitará a justificativa da crise para interromper as reposições das perdas. “Temos uma leitura clara de que a crise não atingiu todos os setores. Alguns, inclusive, contrataram, enquanto outros já estão recuperando as perdas”, salienta.

Assim como os metalúrgicos, os bancários apostam em acordos favoráveis para os trabalhadores. Os dirigentes sindicais consideram que o sistema financeiro mantém ganhos mesmo com a crise. O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Ademir Wiederkehr, lembra que a categoria vai buscar ganhos reais em 2009.

Wiederkehr informa que no ano passado os bancários obtiveram um reajuste de 10% para os salários na faixa de até R$ 2,5 mil e de 8,5% para os vencimentos que estivessem acima desse valor.

Em 2008, segundo o Dieese, 88% das 706 negociações das categorias pesquisadas repuseram a inflação dos 12 meses anteriores à data-base.

Fonte: MÔNICA BIDESE – Correio do Povo

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