Mudanças na estrutura dos cigarros podem estar por trás do aumento dos índices de um certo tipo de câncer de pulmão nos Estados Unidos, sugerem estudos preliminares da Universidade da Califórnia. De acordo com a pesquisa, a incidência de um tumor conhecido como adenocracinoma se mostrou maior entre americanos do que entre australianos, apesar de ambos os países terem trocado para os cigarros mais suaves ao mesmo tempo. “A explicação mais provável para isso é uma mudança no cigarro”, disse um dos pesquisadores, David Burns, segundo reportagem da agência de notícias Associated Press.

No estudo, apresentado recentemente durante um encontro da Sociedade para a Pesquisa da Nicotina e Tabaco, realizado em Dublin, na Irlanda, os pesquisadores analisaram os hábitos de fumo entre grupos de fumantes com diferentes idades nos Estados Unidos e na Austrália ao longo de 40 anos. Foi levado em conta o quanto eles fumavam, quando começaram e quando pararam. Essas informações foram então associadas a mudanças na incidência de câncer de pulmão. Enquanto o risco de carcinoma de células escamosas, o tipo mais comum de câncer de pulmão, manteve-se nos mesmos níveis, houve uma alta no adenocarcinoma, com taxas de 65% a 70% das novas ocorrências nos Estados Unidos – e apenas 40% na Austrália.

A diferença, segundo Burns, é que os cigarros vendidos na Austrália contêm 20% menos nitrosaminas do que os vendidos nos Estados Unidos. As nitrosaminas são compostos cancerígenos derivados do processamento do tabaco e podem ter níveis variados de um país para outro. Os resultados, no entanto, ainda requerem novos estudos.

Fonte: veja.abril.com.br