SÃO PAULO e SÃO LUÍS – Duas cidades do Maranhão arrasadas pela enchente do Rio Mearim, que subiu mais de 6 metros, estudam uma medida radical para se livrar do problema. As prefeituras de Trizidela do Vale (a 276 quilômetros de São Luís) e Marajá do Sena (distante 400 quilômetros da capital maranhense) querem mudar de lugar os dois municípios. Tanto Trizidela quanto Marajá estão localizadas em um vale e são rodeadas de morros. Além da cheia do rio, a água da chuva que desce pelas encostas também inunda as cidades. Como os dois municípios ficaram praticamente 100% debaixo d’agua, uma das soluções em estudo é reconstruir tudo numa área mais elevada. O estudo será encaminhado ao Ministério da Integração Nacional.

Trizidela do Vale
Trizidela do Vale

– A maior parte do município de Trizidela do Vale é ribeirinha. Essa parte da cidade fica numa região mais baixa, na beira do rio. Quando chove em Presidente Dutra e em Barra do Corda, a água escorre e se acumula na cidade – revela o Sargento Aroucha, do Corpo de Bombeiros do Maranhão.

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A cidade tem 18 mil habitantes e quase 15 mil pessoas foram afetadas pela cheia, segundo balanço do Corpo de Bombeiros. Uma adolescente de 18 anos morreu afogada. As ruas de bairros como Tamarindo, Nossa Senhora de Fátima e o até Centro do município viraram verdadeiros rios. Só é possível se locomover de canoa. Tudo está coberto pela água: bancos, Correios, estabelecimentos comerciais.

Veja imagens dos estragos causados pela chuva

Muita gente foi levada para abrigos coletivos, mas o medo de saques também ronda a cidade e muitas pessoas relutam em abandonar suas casas com medo de roubos. Até seis famílias dividem os galpões coletivos que têm 50 metros quadrados, mas eles também começam a ser afetados pela cheia.

A cidade de Marajá do Sena foi a primeira a decretar situação de emergência

Marajá do Sena
Marajá do Sena

no Maranhão. Metade da população de cerca de 6 mil habitantes foi afetada pela cheia. Para o prefeito Manoel Edivan Costa, mudar a cidade de lugar seria uma alternativa.

No final do mês de abril, a água que transbordou de um açude localizado a um quilômetro da cidade, alagou várias ruas do município e mostrou que não apenas a cheia do rio representa risco aos moradores. Marajá do Sena é considerada área de risco pelo risco de desabamento das serras que cercam a cidade. Inundada, a cidade ficou isolada, sem saída terrestre. O abastecimento da cidade é feito por barco ou helicópteros.

Como Trizidela, Marajá do Sena está paralisada. Serviços públicos estão interrompidos porque os prédios estão inundados. A única escola da cidade alagou.

Outras cidades que ficam próximas ao Mearim, como Pedreira, Bacabal estão na mesma situação. Em Pedreira, os desabrigados foram levados para escolas. Lá recebem cestas básicas e kits dormitórios distribuídos pela Defesa Civil. Em Bacabal, o prédio de um antigo hospital e o parque de exposição estão sendo usados como abrigo. Na cidade de 95 mil habitantes, quase 20 mil pessoas foram afetadas pela cheia.

No Maranhão, segundo dados da Secretaria Nacional de Defesa Civil, a chuva atingiu quase 205 mil pessoas e causou a morte de oito. Há 78 municípios afetados. As escolas públicas estaduais e municipais das 78 cidades que decretaram situação de emergência suspenderam as aulas por tempo indeterminado. A maioria das escolas está alagada ou ocupada por desabrigados. Quase 23 mil alunos estão sem aulas apenas na rede pública estadual.

Fonte: O Globo