Nem o prefeito Jurandir Fonteles de Oliveira, da modesta Moraújo se livrou da virose nesses tempos de enchente. Mas ele não sentiu na pele nem um décimo do sofrimento de mais da metade da população do município, mapeado na Região Norte do Ceará e distante 287 quilômetros de Fortaleza. Dos cerca de 8,4 mil habitantes de lá, mais da metade está passando fome e outras necessidades. Onze localidades totalmente isoladas por causa das águas altas e largas do rio Coreaú. “Sou do partido do governador Cid Gomes, o PSB. Quando ele chegar hoje em Granja, vou estar lá para pedir ajuda”.

O prefeito conta que mesmo sua Hilux não conseguiu passar por um desses caminhos de lama, água grande e destroço. Atolou no meio do destino e só foi arrancada, no braço, depois de muito custo. É quase impossível chegar de caminhão, moto e até no barco-socorro do Corpo de Bombeiros. Além disso, a cidade que nasceu originalmente dos troncos das famílias Moreira e Araújo – daí Moraújo -, está em alerta, pois já registrou um caso de cólera numa criança.

Enjeitado, Chora, Pinga e Madeira Cortada são alguns dos povoados ilhados que estão há mais de duas semanas sem receber comida, água potável, atendimento médico e remédio. Porém, de acordo com Jurandir Oliveira, há localidade que desde a Semana Santa experimenta situações extremas de sobrevivência. Na Quinta-Feira Santa, um caminhão com mantimentos – endereçado a refugiados das cheias – caiu em um riacho.

Em uma outro distrito afetado, Jurandir Oliveira não recordava o nome, as estradas destruídas de Moraújo impediram que policiais se deslocassem ao local do crime. O autor do homicídio, diz o prefeito, “veio a pé e se entregou à Polícia”, conta.

Na tarde de ontem, o barco do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil do Estado iria tentar chegar à comunidade quilombola de Timbaúba. Lá, 72 famílias descendentes de escravos foram confinadas após a subida das águas. Em Moraújo, além do rio Coreaú, a população viu encher rápido os açude de Angico (56 metros cúbicos) e o Várzea Redonda, com 12 milhões de metros cúbicos.

Rio Coreaú –  Na Prefeitura de Coreaú, a conjuntivite pegou a secretária da Assistência Social, Cláudia Cristino de Araújo, e alguns dos integrantes das mais de 122 famílias que correram das inundações do rio que leva o mesmo nome do município. Abrigados em seis escolas, os cerca de 538 refugiados estavam na expectativa do recuo das águas que invadiram os distritos de São Vicente, Araquém e um bairro na sede.

Em Araquém, quatro famílias se recusaram a sair de suas casas comprometidas e tiveram de assinar um termo de responsabilidade assumindo os riscos por rejeitar o socorro. Até a tarde de ontem, segundo Esmeralda Maria, as equipes de auxílio só conseguiam chegar ao local subindo a serra de Tianguá na Ibiapaba.

Fonte: O Povo

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