Por Maurício Fontana – Economista

A corrupção está presente nas mais diferentes civilizações ao longo dos anos, está presente há centenas de anos em diversas nações, sejam democracias, sejam ditaduras, trate-se de governos de ideologia de esquerda ou de direita, sejam regimes parlamentaristas ou presidencialistas, trabalhos acadêmicos apontam a existência das práticas corruptas desde o mais antigo dos tempos. No Brasil, já sabemos que, desde a descoberta pelos portugueses, convivemos com as mais diferentes práticas desonestas, ainda, com toda esta “tradição”, nos impressiona a enxurrada de escândalos em nossas mais diversas instâncias políticas.

Seja em nosso parlamento, seja em nossa mais alta corte, somos abalados por diferentes e variados exemplos de atos ilegais, ou no mínimo imorais. Nestes momentos de denúncias frequentes contra políticos, são comuns as sugestões extremas de “fim do parlamento”, “volta da ditadura” e outras ainda piores. Não percebemos, no entanto, que nosso dia a dia está repleto de imoralidades e ilicitudes praticadas não por políticos, mas por nós mesmos e o tempo todo.

Vejamos, quem não foi ator ou espectador de fatos como um senhor “furando” a fila de um banco ou supermercado? Ou quem sabe um motorista parado sobre a faixa de segurança? Talvez uma ultrapassagem pela direita em uma estrada congestionada? Até mesmo coisas simples como o troco de um centavo que todo supermercado nega-se a fornecer com frequência assustadora? Alguns dirão que estas atitudes não se comparam ao desvio de verbas milionárias ou ao atual uso de passagens por parentes e amigos de senadores e deputados, mas a verdade é que não apenas praticamos estes atos de pequena corrupção como, quando os presenciamos, não somos capazes de erguer a voz e protestar! O pedestre desvia do enorme ônibus parado sobre a faixa sem sequer confrontar o motorista, quem reclama por seu troco correto é atacado pelos próprios colegas consumidores, enfim, nos acostumamos a ser “passados para trás” e a tirar proveito de situações mesmo sabendo que estamos errados.

Enfim, não são os políticos os corruptos, somos nós, quando corrompemos e quando nos calamos frente à corrupção, que mantemos assim nosso país. Há que se pensar numa nova atitude e não apenas em reformas políticas, há que se exigir de nossos representantes não apenas no dia das eleições, mas durante o mandato, ligando, mandando e-mails, cartas inclusive. Mas, acima de tudo, há que se criar o hábito de respeitar as regras em casa e nas pequenas atitudes, é nisso que estamos falhando.

Fonte: Jonral Zero Hora – Click Rbs

Anúncios