Crise econômica? Que nada! A crise no Brasil continua sendo a política… Um senador do Distrito Federal recentemente foi à tribuna para sugerir um plebiscito para ver se o povo brasileiro deseja fechar o Congresso Nacional, tão vergonhosa é a política que se tem feito naqueles corredores do Planalto. Logo depois de lembrarmos com pesar os 40 anos do Ato Institucional número 5, que num atentado à democracia fechou o Congresso na ditadura militar, cogita-se se agora essa não é a vontade popular.

Os escândalos se multiplicam. O mensalão de Roberto Jefferson abriu a cortina para que pudéssemos contemplar os esquemas todos: os nossos legisladores estão praticando corrupção com os cartões corporativos, com as verbas de gabinete, com o nepotismo, com o aumento absurdo de salários, com o abuso de diárias, com propinas de todos os níveis, com desvios de verbas dos ministérios, com falsas prestações de contas de candidaturas e mandatos, com sonegação do Imposto de Renda e construção de castelos, com auxílio-isso, auxílio-aquilo e até com desvio de passagens aéreas para namoradas de congressistas. É uma farra deliberada. Em plena crise financeira levando nações à recessão, parece estar sobrando dinheiro para todos esses atos ilícitos.

Realmente, a proposta do senador  nos faz pensar… Vale a pena manter um Congresso em geral dispendioso, submisso, inexpressivo e corrupto como esse (guardadas as devidas exceções)? E o problema não se limita a Brasília, mas se estende por toda a política nacional, regional e local. O Congresso Nacional às vezes parece passar metade do mandato tentando esconder os esquemas de corrupção das últimas eleições e a outra metade fazendo campanha suja para as próximas eleições. As estruturas do Poder Legislativo gastam mais tempo e energia investigando os próprios congressistas do que propondo leis e reformas constitucionais importantes.

Dia atrás, uma ex vereadora e atual subprefeita de São Paulo deu um depoimento pela TV dizendo que a corrupção na política é realmente algo assustador e chega a comprometer pelo menos 70% dos políticos. O vereador capixaba Moa deu uma entrevista a Jô Soares recentemente e disse: “eu vi que a política é pior do que se pensa. É uma vergonha!”.

Mas no auge dessa crise política institucional no Brasil, muitos deputados e senadores ainda estão usando o mote de que a culpa dessa onda de pessimismo em relação à política brasileira é toda da mídia, que, segundo eles, põe demasiada ênfase nas notícias de corrupção, criando a impressão de que política é sinônimo de coisa suja… É um absurdo que um problema tão grave como esse ainda seja encarado como uma questão mais de marketing do que de moralidade.

Juliano Ribeiro Almeida, 28, é padre católico e trabalha em Cachoeiro de Itapemirim.

Fonte: http://www.portalmaratimba.com/