Corregedor da Câmara diz que todas as denúncias serão investigadas. Dono de agência confirma venda de passagens de cota de deputado.

Uma comissão de sindicância da Câmara descobriu que agências de viagem tinham acesso direto ao departamento de passagens da Casa num esquema clandestino de venda de bilhetes. E, entre os deputados, ainda é grande a resistência ao projeto que tenta botar um freio na farra das passagens.

Até agora, pelo menos 18 deputados têm os nomes relacionados com a venda ilegal das passagens. O esquema só pode ocorrer com a participação de alguém do gabinete do deputado.

O passageiro compra e paga a passagem para a agência de turismo. A agência fica com o dinheiro, mas não emite o bilhete. Um funcionário da agência entra em contato com o gabinete do deputado. E pede que a passagem seja emitida pela cota do parlamentar, em nome do comprador do bilhete. É a Câmara que paga a companhia aérea. Por fim, o dinheiro que a agência recebeu do passageiro é dividido com o gabinete do deputado.

O dono da Agência Infiniti, de Brasília, Márcio Bessa, admitiu a emissão de passagens para clientes dele na cota do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE). Mas segundo Bessa, Aníbal Gomes estava pagando uma dívida que tinha com a agência. “Eu tinha que saldar a dívida junto com a minha empresa. E era a única forma que eu podia saldar essa dívida”, disse.

Nesta sexta-feira (24), a Comissão de Sindicância da Câmara constatou que o ministro Eros Grau e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) foi vítima da máfia de venda de passagens.

O ministro Gilmar Mendes pagou as passagens dele e da mulher para os Estados Unidos em julho do ano passado. Mas os bilhetes foram emitidos na cota do deputado Paulo Roberto (PTB-RS). O código de emissão da passagem pela Câmara foi trocado, para esconder a irregularidade. O deputado acusou um ex-funcionário.

A comissão de sindicância descobriu também que funcionários de agências de turismo que integravam o esquema tinham a senha de deputados e pediam a emissão das passagens aéreas diretamente à Camara.

O corregedor da Câmara, deputado ACM Neto (DEM-BA), disse que todas as denúncias serão investigadas. “Caso fique comprovado que algum parlamentar participou da venda de passagens não há outro caminho a não ser configurar a quebra de decoro parlamentar e é evidente que esse deputado responderá conforme as leis do código de ética.

Fonte: G1