Por Marisa Magnus Smith

O vestibular, lembrado pelo grande público apenas em época de provas, ocupa hoje vastos espaços na mídia, por conta da proposta do MEC de instituir como critério de seleção para a universidade resultados obtidos no que vem sendo chamado novo Enem, exame que ficaria a meio termo entre o antigo Enem e o vestibular.

Antes de entrar no mérito da proposta, impõe-se uma questão: de que “vestibular” se está falando? Que entidade é esta, “O Vestibular”?

Por força de ofício, tenho participado de inúmeros fóruns de discussão sobre processos de seleção ao Ensino Superior, em nível regional e nacional, e posso afirmar que, salvo casos isolados, existem tantos “vestibulares” quantas instituições de Ensino Superior, sejam elas privadas ou públicas, faculdades isoladas, centros universitários ou universidades. Identidade, apenas uma, por força legal: a exigência de elaboração de um texto e, ainda aqui, as diferenças – da proposta à avaliação – são incontáveis. Tudo o mais pode diferir.

No caso da PUCRS, por exemplo, as provas são elaboradas por bancas experientes, familiarizadas com o Ensino Médio e alinhadas com a filosofia da universidade, segundo os mais rigorosos padrões de qualidade. Por trás das questões, estão competências e habilidades preconizadas por especialistas, diretrizes sinalizadas por documentos legais como os PCNs, a realidade do Ensino Médio, além da consciência de que as provas de vestibular – infelizmente – definem condutas nesse nível de ensino, o que multiplica o compromisso com a elaboração de testes inteligentes.

Prioridade ao raciocínio e à resolução de problemas, rigor na seleção de conteúdos, atenção ao nível de dificuldade de cada questão; preferência por provas temáticas quando possível, são apenas alguns dos muitos critérios que norteiam nossas provas, parâmetros construídos em respeito ao candidato e também à PUCRS, já que entendemos o vestibular como um documento de identidade da instituição. Cabe aqui parafrasear o adágio popular: Dize-me como é teu vestibular e eu te direi quem és.

Por certo esse nível de qualidade não é exclusivo, e o Rio Grande do Sul, em especial, pode orgulhar-se de várias IES que demonstram, em seus processos seletivos, seu compromisso com ensino, pesquisa e extensão de qualidade.

Nesse cenário, o “novo Enem” deverá mostrar que, além de “novo”, é tão bom quanto os vestibulares das mais qualificadas instituições deste país. Nossa expectativa é a de que isso venha a acontecer, beneficiando sobretudo os candidatos, razão maior do grande esforço que nos une na procura de permanente aperfeiçoamento.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/

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