Há pouco mais de um mês, Cena G levantou a polêmica. O fato de a grande maioria dos estabelecimentos direcionados para o público GLBT (XYZ) em Fortaleza optar por utilizar a expressão MIX para se definir era um sinal de enrustimento, de volta para o armário? Ou seria apenas, digamos assim, mera questão estilística? Como a polêmica ainda roda na noitch alencarina, a coluna volta ao assunto e ouve o publicitário e multimídia André Fischer, criador do site MixBrasil, do festival cinematográfico que leva o mesmo nome e diretor da revista Junior, além de DJ e apresentador de televisão, entre outras cositas mas (ufa!)

Fala Fischer. “A gente vive em um país enrustido, essa é que é a verdade. É óbvio que é muito mais bacana quando você dá as caras, diz que o produto é gay mesmo e levanta a bandeira e tal. Mas quando a gente fala de empresários, aí a coisa complica mesmo, porque sempre rola o medo de perder investidores”, analisa. “Tem muita gente que tem que enrustir o seu negócio para conseguir apoio e visibilidade… Outros não, mas não é fácil. Na revista Junior, por exemplo, a gente ainda hoje tem dificuldade de conseguir anunciantes. Mas como a gente sempre se assumiu como uma revista para o público gay, a gente consegue”.

Considerações – O publicitário e jornalista, porém, levanta algumas considerações que podem justificar a preferência da expressão MIX pelo empresariado voltado para o público gay em Fortaleza. “A gente tem que ver qual é o objetivo desses empresários. É o público gay ou a idéia é misturar mesmo? Se for misturar está valendo. A questão é que a sigla GLS acabou se referindo mais especificamente para os gays. Não deveria ser assim, mas é, os ‘S’ meio que sumiram… A abrangência deveria ser mais ampla. Para mim, quem anuncia algo como Mix está procurando um público mix. Quando a gente registrou a marca MixBrasil há 16 anos o objetivo era não restringir. Não dá para dizer que quem se auto-refere como mix está fugindo da raia. Não é?”.

Fonte: O Povo