1. US$ 1 trilhão
Este é o número mágico que aparece na manchete de todos os grandes jornais brasileiros e nos principais periódicos internacionais. No encontro da cúpula do G-20, hoje, em Londres, deve ser anunciado um plano de levantar US$ 1 trilhão para socorrer a economia de países pobres ou emergentes e fornecer crédito para as trocas comerciais. Segundo O Globo, o governo brasileiro está disposto a contribuir com recursos para o FMI, que deve receber US$ 750 bilhões – os outros US$ 250 bilhões seriam destinados ao Banco Mundial. O jornal inglês The Guardian afirma que as negociações entre os líderes do G-20 avançaram na manhã desta quinta-feira sobre a questão da regulação do sistema financeiro global, apesar da posição pessimista da França e da Alemanha.

2. Rússia e EUA acenam com redução de arsenais nucleares
O encontro do G-20 não tem servido apenas para discussões sobre economia. Ontem, os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dmitri Medvedev, se reuniram em Londres e aceitaram negociar a redução dos arsenais nucleares de ambos os países. Foi a primeira conversa entre os dois, que retomam os laços entre Washington e Moscou. O The New York Times diz que Obama e Medvedev estarão do mesmo lado na guerra no Afeganistão e prometeram se esforçar para frear as ambições nucleares do Irã – até agora, a Rússia mantinha uma posição ambígua sobre a estratégia dos EUA de neutralizar os iranianos.

Investigação
3. PF diz que Camargo Corrêa tentou fraudar notas fiscais

Está na Folha (para assinantes): o relatório da Polícia Federal sobre a Operação Castelo de Areia relaciona a construtora Camargo Corrêa a uma suposta tentativa de fraudar notas fiscais. “O principal indício apresentado pela Polícia Federal é um conjunto de diálogos sequenciais interceptados no dia 31 de outubro do ano passado. Nas gravações, fala-se em ‘montagem’ de notas fiscais, que deveriam ser entregues na sede da Camargo Corrêa, em São Paulo”, diz o jornal. O advogado da empresa, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, afirmou que é “risível” a hipótese de uma das maiores empreiteiras do país se valer desse tipo de fraude. Será que tamanho de empresa é garantia de retidão?

4. Ilha de Jersey bloqueia US$ 22 milhões que seriam de Maluf
A corte da ilha de Jersey, no Canal da Mancha, atendeu a uma ação movida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Prefeitura da capital e bloqueou, em caráter liminar, US$ 22 milhões que pertenceriam à família do ex-prefeito Paulo Maluf (1993-1996). Esse montante, diz a acusação, teria sido desviado do município durante a administração malufista. “O dinheiro de Jersey, segundo as autoridades, está em contas de duas offshores: a Durant International Corporation e a Kildare Finance Limited. Segundo a Promotoria de Justiça da Cidadania de São Paulo, essas empresas pertencem a três filhos do ex-prefeito: Flávio, Lygia e Lina Maluf”, informa o Estadão. Maluf nega as acusações.

5. Tasso pagou avião fretado com dinheiro do Senado
A revelação é da Folha (para assinantes): desde 2005, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) já gastou quase R$ 500 mil da verba oficial de passagens aéreas para fretar jatinhos. Tasso reconhece que se valeu desse expediente – considerado irregular pela legislação interna do Senado –, mas diz ter obtido autorização especial da Casa para realizar as viagens. Ele tem um avião próprio, mas afirma que recorre ao fretamento quando sua aeronave não está disponível para voo.

6. Senado aprova o fim da prisão especial
O Senado aprovou ontem, em votação simbólica, um projeto de lei que praticamente acaba com a prisão especial no Brasil. A proposta dos senadores, que segue de volta para a Câmara, prevê o benefício apenas para o caso de um preso que corra risco de vida e precise ficar em uma cela separada. Atualmente, a prisão especial é concedida a pessoas com curso superior e autoridades. “Acaba-se com a prisão especial por presunção. Pode ser pedreiro, pode ser senador. Não tem mais prisão especial para ninguém”, afirma o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que apresentou o projeto substitutivo. Na verdade, juízes e integrantes do Ministério Público da União continuariam a ter esse direito, mas podem perdê-lo num segundo projeto de lei. Se isso acontecer, informa o Estadão, só o presidente da República teria o privilégio, mas só até uma eventual condenação definitiva.

7. Supremo dá 2 votos a favor da extinção da Lei de Imprensa
Os ministros do Supremo Carlos Ayres Britto e Eros Grau deram voto favorável a uma ação do PDT que pede a extinção da Lei de Imprensa, criada durante o regime militar. Relator do processo, Ayres Britto foi contundente em sua defesa pela derrubada total do texto, que já teve boa parte de seus artigos suspensa no ano passado. “A lei está toda contaminada, é materialmente contrária à Constituição de ponta a ponta. Então é necessário o abate.” O julgamento foi interrompido e será retomado no dia 15, para o voto dos outros nove ministros. Com isso, diz o Correio Braziliense (para cadastrados), também ficou para depois a questão da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão – por enquanto, vale a liminar que permite aos não-formados exercer a carreira.

Educação
8. Universidades federais rejeitam cotas obrigatórias

A Andifes, associação que reúne os reitores das universidades federais, afirmou ser contrária ao projeto de lei em tramitação no Senado que destina metade das vagas nas instituições federais de ensino superior a alunos que tenham cursado o ensino médio em escola pública, com subcotas para negros, pardos e índios proporcional ao porcentual representado por essas etnias em cada Estado. Para a Andifes, a proposta fere a autonomia universitária. A votação do projeto, prevista para ontem, foi adiada, como informa O Globo.

Futebol
9. No dia do jogo do Brasil, o destaque foi a Argentina

Diante do sonolento jogo entre Brasil e Peru na noite de ontem, a maioria dos comentários dos torcedores brasileiros foi direcionada ao vexame histórico sofrido por nosso grande rival, a Argentina, que tomou de 6 a 1 da fraca Bolívia, em La Paz. A goleada repercutiu em vários países, e o sentimento era de espanto. O Clarín resumiu assim a incredulidade diante do ocorrido ontem: “Nem o mais hiperotimista (torcedor boliviano) poderia imaginar este 6 a 1 rotundo, contundente, humilhante.” O técnico Diego Maradona, que ironicamente tanto defendeu a realização de partidas de futebol em cidades com grande altitude (La Paz fica a 3.800 metros do nível do mar), disse que cada gol da Bolívia era “como um punhal no coração”. O maior ídolo do futebol argentino não parece correr o risco de perder o cargo, mas certamente será mais cobrado a partir de agora. Não é todo dia que se toma de 6 – para a Argentina, então, isso só havia ocorrido uma vez, na longínqua Copa de 1958 (confira no site de ÉPOCA os piores vexames futebolísticos da seleção argentina).

Mundo
10. Novo chanceler israelense se nega a aceitar plano de Estado palestino

Começam a surgir os primeiros reflexos da nomeação do político ultranacionalista Avigdor Lieberman como ministro das Relações Exteriores de Israel. Ele afirmou ontem que seu país não se compromete a seguir as diretrizes da Conferência de Annapolis, em 2007, pela qual a Casa Branca se incumbiu de mediar as negociações entre árabes e israelenses em torno da criação de um Estado palestino. De acordo com o jornal israelense Haaretz, Lieberman se comprometeu a seguir apenas o Mapa do Caminho, acordo assinado em 2003 entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP). Como os termos de Annapolis são muito mais objetivos em relação à divisão do território entre as duas partes, Lieberman disse que tais “concessões” só causariam mais conflitos. Está evidente que o recém-iniciado governo do premiê direitista Binyamin Netanyahu irá se chocar em diversos pontos com os interesses dos EUA.

Fonte: http://colunas.epoca.globo.com/ofiltro/2009/04/02/confira-as-dez-principais-noticias-do-dia-2-de-abril/
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