Internado em estado grave no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, o deputado federal e estilista Clodovil Hernandes foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), do tipo hemorrágico. Popularmente conhecido como derrame, o AVC é caracterizado pelo comprometimento de uma artéria que leva o sangue ao cérebro e, por isso, pode aumentar a pressão local e provocar a morte da vítima.

Há duas formas de AVC: o hemorrágico e o isquêmico. O hemorrágico é o menos comum dos derrames e pode ser causado por uma ruptura de aneurisma (uma dilatação anormal de artéria) ou ainda uma malformação arteriovenosa (distúrbio congênito dos vasos sangüíneos que dificulta a passagem de sangue entre artérias e veias). “Há casos mais raros. Se a pessoa está tomando um anticoagulante, ela pode ter a hemorragia”, comenta Alexandre Pieri, neurologista e coordenador da Unidade de Pronto Atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein.

Já o AVC isquêmico, mais comum, ocorre por conta de uma obstrução da artéria que leva sangue para região cerebral. Esta barreira faz com que a artéria comprometida fique inutilizada, privando uma ou mais regiões do cérebro de receber os nutrientes sanguíneos necessários. O acidente, neste caso, é similar a um ataque cardíaco. Mas as seqüelas para o paciente vão de alterações visuais, de fala e de equilíbrio à falta de sensibilidade de um lado do corpo.

As conseqüências para o paciente, no entanto, podem variar de acordo com o local do cérebro atingido e o tamanho da obstrução. “Cerca de 35% das vítimas de AVC evoluem para um quadro de depressão, enquanto 70% ficam com grau de incapacidade motora, de fala e linguagem ou de raciocínio”, alerta Pieri.

Diagnóstico e tratamentos – Sintomas mais comuns do derrame, a perda de força de um lado do corpo e a boca torta são os avisos certeiros de que o paciente precisa correr ao hospital mais próximo. Segundo o neurologista do Hospital Albert Einstein, Alexandre Pieri, a dormência anormal de um braço pode ser um sinal de derrame, e muitas pessoas não levam a sensação a sério. “Há pacientes que acordam sentindo o braço adormecido, mas esperam o sintoma passar sem procurar um médico”, comenta.

Embora perdure a crença de que AVC não tem cura, há tratamento eficaz para os casos em que não houve hemorragia cerebral. O ideal é que o paciente procure atendimento médico o quanto antes e, de preferência, no máximo três horas antes do início dos sintomas. Feito isso e após o diagnóstico de artéria obstruída – o que é feito por meio de tomografia ou ressonância magnética -, o médico pode aplicar uma injeção com um trombolítico. O medicamento é responsável por desobstruir as artérias, revertendo o problema. Infelizmente, a terapia nos acidentes vasculares hemorrágicos ainda está em fase de estudo.

Prevenção – O AVC, independentemente do tipo, pode ser prevenido, uma vez que costuma estar associado a alguns problemas de saúde (diabetes, estresse, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, gordura abdominal) e também a maus hábitos (sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool elevado). Por isso, segundo o médico Pieri, pacientes com mais de 55 anos precisam redobrar os cuidados. “Cuidar da pressão alta, por exemplo, é uma maneira de se prevenir o AVC”, completa o neurologista.

Sinais e sintomas do AVC
– Convulsões (em casos de hemorragia)
– Distúrbios visuais
– Fraqueza em um lado do corpo
– Dificuldade de fala e de compreensão da linguagem (afasia)
– Perda sensitiva (dormência de membros)

Fonte:  http://saude.terra.com.br/

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