Alguns comentários sobre essas apostilas distribuídas pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para seus quase 5,5 milhões de alunos.

Isso é meio chocante, em especial por este processo ser comandado por pessoa que, à época da gestão Paulo Renato no MEC brigou com muitas editoras por conta da qualidade dos livros didáticos, comprados por aquela instituição para estudantes de todo o país. Portanto, é impensável que aquela que criticou tanto os outros agora pague a língua e publique coisa errada, corrigida por errata que com certeza não chegará aos alunos e ficará apenas no site da Secretaria.

Mas mais chocante ainda são os números desta operação e a fortuna que ela envolve. São cerca de 72 milhões de apostilas ao custo de R$ 52.000.000,00 (fonte: Diário Oficial), com a possibilidade, aberta no processo de contratação, de dobrar esses valores. E aí não estão contados os livros também publicados para todos os professores de todas as disciplinas e para os alunos do Ciclo I do Ensino Fundamental, que estão em outro pacote de publicações contratado pela Secretaria.

Outro aspecto que chama a atenção é relativo aos livros didáticos, que tanto dinheiro consome e que hoje tem sua compra centralizada no MEC. Até metade do governo Alkimin a compra de livros era feita por São Paulo mas na gestão Chalita o Estado perdeu este privilégio – todo mundo imagina porque – e o MEC retomou a si a compra. Bom, essas apostilas substituem os livros do PNLD? Complementam-nos? Os professores poderiam depor aqui sobre isso: qual a relação destas apostilas compradas pelo Governo do Estado e os livros didáticos comprados conforme a escolha dos professores e distribuídos pelo MEC?

Bem, será que essa impressão de apostilas está sendo feita para não perder o contato com a indústria gráfica, tão importante em qualquer processo eleitoral? As pessoas sabem que um tipo comum de caixa dois é feito em papel? Papel é puro dinheiro em época de eleição. Hoje eu compro de você, pago a mais e você guarda meu dinheiro em rolos e rolos de papel. Depois eu te contrato para imprimir meu material de campanha. Certo? E pago baratinho, pois o papel é meu. Certo?

A Secretaria da Educação fez as apostilas – pagou equipes para escrever esse material – e contratou seis grandes editoras e/ou gráficas para que imprimissem e distribuíssem às escolas. As editores são as conhecidas: Posigraf (Grupo Positivo); FTE; IBEP; Esdeva (dona do Jornal Tribuna de Minas); Multiformas e Plural. Cada uma vai receber entre 9 e 11 milhões de reais, podendo, pelo contrato, dobrar esses valores.

Há muitas perguntas que se pode fazer sobre essa contratação, não acham? Ela pode até estar revestida de legalidade (eles são especialistas nisso, dar legalidade à imoralidade)…

Ao invés de a Secretaria fazer uma licitação para impressão, fez lotes e os distribuiu a essas editoras? Por que será? Claro, eles terão justificativa, dirão que a quantidade impediria que uma delas fizesse o trabalho sozinha ou coisa que o valha.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/