Não faltaram deputados, mas sobraram bate-boca e xingamentos na tarde de ontem. Após quatro horas de uma tumultuada sessão na Assembleia Legislativa, o Palácio Piratini conseguiu confirmar a decisão da governadora Yeda Crusius de cortar o ponto de servidores que fizeram greve em novembro passado. O Executivo saiu fortalecido para enfrentar futuras paralisações do funcionalismo.

Às 18h50min, o painel da Assembleia divulgou a decisão dos deputados: 27 votos favoráveis à resolução de Yeda e 21 contrários. O resultado foi frustrante para a oposição, que calculava alcançar 24 votos.

– O governo ganhou com ampla maioria, e as coisas foram colocadas nos seus devidos lugares – afirmou o líder do Executivo na Casa, Pedro Westphalen (PP).

A vitória do Piratini ocorreu no terceiro dia de embate. Na terça e na quarta-feira, a oposição impediu a votação se aproveitando de cochilos dos governistas. Nos dois dias, houve retirada de quórum, o que impede votações. No início da tarde de ontem, porém, a conquista do governo já era dada como certa. Apesar de os adversários não registrarem presença, 29 deputados sinalizaram que estavam em plenário – um acima do mínimo necessário para votações.

Assessores da Casa Civil portavam listas com fotos, nomes de aliados e telefones de seus chefes de gabinete. A operação foi montada para impedir uma nova tentativa de retirada de quórum em caso de distração da base. A oposição precisava somar 28 votos para derrubar o veto ao abono de faltas de servidores que fizeram greve e que tiveram desconto nos salários. Desde outubro, um decreto de Yeda permite o corte do ponto de quem falta ao trabalho. Em dezembro, porém, a oposição e parte da base conseguiram aprovar o abono das greves de novembro. Para o governo, era importante impedir a brecha no decreto. Para o Cpers, era uma possibilidade de medir forças contra a reforma no plano de carreira.

Por isso, as galerias estavam lotadas. De um lado, defensores do veto organizados pela Juventude do PSDB. Do outro, os sindicalistas. Durante a tarde, os dois grupos fizeram um enfrentamento. Os sindicalistas chamavam os adversários de CCs (cargos em comissão). O outro lado exibia fotos da governadora e frases como “sim ao veto”. Na tribuna, o líder da bancada do PT, Elvino Bohn Gass, desafiou a base:

– Ninguém defende o veto. Os deputados não estão convencidos. São apenas carrascos da vingança de Yeda.

O líder da bancada do PTB, Iradir Pietroski, leu uma entrevista em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classifica as greves remuneradas como férias, o que aumentou a polêmica. Mas foi o discurso do líder da bancada do PPS, Paulo Odone, que incendiou o debate: disse que na Assembleia não havia mensalão, numa referência à recente visita do deputado cassado José Dirceu (PT) ao Estado. Das galerias, partiram novos xingamentos, e os seguranças foram acionados para conter sindicalistas irritados. Com a confusão, a sessão teve de ser interrompida.

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