Enquanto o Globo transforma desejos em fatos, os fatos conspiram contra os desejos da sua direção – e o jornal ignora.

No Estadão de hoje, duas notícias sobre a sucessão:

1. O PMDB de Minas Gerais aclamou Aécio Neves e quer que seja o candidato do partido a 2010.

2. O DEM, através de Rodrigo Maia, ameaça desembarcar da canoa de Serra.

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Sem negar que já apoiou abertamente Serra, o presidente nacional do DEM, ˜deputado Rodrigo Maia (RJ), recuou. “A realidade que eu tinha naquele momento era uma, a que eu tenho hoje é outra. O governador Aécio Neves é de fato candidato a presidente da República”, afirmou, negando ter simplesmente mudado de ideia. “Não é que eu mudei de ideia, quem mudou de ideia foi o Aécio.”

Alguma surpresa? Só para quem analisa o jogo político como torcedor.

Assim como na economia, há uma defasagem entre os eventos políticos e as consequências. Assim como na economia, os movimentos de opinião pública são como ondas. Determinados candidatos sobem, atingem o seu pico, não tem consistência, seus fundamentos não são considerados sólidos, e entra-se na curva descendente. A arte da política – e do jornalismo – consiste em prever esses movimentos. Serra, que sempre teve muitas virtudes, sempre foi um amador para esse tipo de análise. E não existem partidos como melhor ˜feeling” para esses movimentos que o PMDB e, principalmente, o DEM. Leia mais »

Outra:

O Globo velho de guerra solta matéria com o título “Abalo na economia já atinge articulações para candidatura de Dilma em 2010″.

O verbo mostra efeitos no presente. A matéria é um conjunto de suposições óbvias sobre possíveis efeitos da crise no futuro.

Enterraram o defunto sem se certificar de que ele estava vivo. É uma manchete que expressa vontade, não o que a reportagem diz.

De O Globo Leia mais »

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/