Qual é o seu Che? No documentário Personal Che, o brasileiro Douglas Duarte oferece sete alternativas. Em entrevista ao O POVO, entretanto, o cineasta opta por uma: a do Che que luta por justiça

Numa das tantas entrevistas que marcaram há dois anos o lançamento de Personal Che, o documentário que investiga as múltiplas significações em torno da clássica imagem do médico-guerrilheiro Ernesto Che Guevara feita pelo fotógrafo Alberto Korda, o cineasta brasileiro Douglas Duarte especulou. Na verdade, um pouco a sério, um pouco em tom de piada, Douglas afirmou tratar-se de uma estatística preparada nos Estados Unidos, que estabelece: a cada 48 horas, qualquer pessoa no mundo dá de cara com o rosto do argentino Che Guevara. Não é pouca coisa.

Mesmo para o cineasta responsável – em parceria com com a colombiana Adriana Mariño – por vasculhar nos quatro cantos do mundo – Líbano, Bolívia, Alemanha, Estados Unidos, Cuba, Hong Kong – as dezenas de milhares de versões de um mesmo rosto, a exposição é excessiva. Entretanto, ter visto tantas vezes o mesmo conjunto de traços serviu a um propósito: construir, num documentário, uma espécie de itinerário do culto a Che. Mas não apenas isso: Douglas também atravessou o caminho de neonazistas alemães e exilados cubanos em Miami. Curiosamente, os dois grupos têm opiniões radicalmente distintas acerca do legado simbólico de Che. À semelhança do que costuma acontecer com o rosto de Che, eles se apropriaram de maneira diferente do mito. Para os exilados, o homem nunca passou de um assassino. Para os nazistas, Che é sinônimo de mudança.

Embora não possa negar a volatilidade do símbolo, Douglas Duarte tem uma aposta. Em entrevista ao O POVO por e-mail – o cineasta está no México, onde finaliza o roteiro de um novo trabalho -, ele garante que “Che sempre vai ser o índio, não o xerife”. Para ele, o tempo, num processo de depuração, varre cada vez mais os traços históricos e atribui a Che ideais de justiça e esperança. Por fim, Douglas também revela como foi o seu encontro com Mário Terán, o sargento do exército boliviano que, em 1967, deu cabo da vida de Che Guevara. Vivendo em uma pequena casa na Bolívia, Terán foi um dos poucos envolvidos no assassinato de Che a sobreviver aos incidentes que se seguiram àquele 9 de outubro de 1967 – o dia em que o homem virou lenda (Henrique Araújo, Especial para O POVO).

Entrevista completa: http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/859687.html
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