O Ministério Público investiga a venda de cargos na Polícia Civil de São Paulo. Um vídeo mostra o parente de um ex-secretário negociando uma vaga no Detran por 300 mil reais. Nas imagens, um advogado revela o preço da transferência de um delegado para um dos principais departamentos da polícia paulista, o de trânsito.

Celso Valente é primo e foi sócio do ex-secretário adjunto de segurança pública, Lauro Malheiros Neto. Ele diz ainda ser possível a absolvição de um policial acusado de irregularidades em processos administrativos. Bastava uma assinatura: a do então secretário adjunto.

O vídeo foi feito em outubro de 2007 com uma câmera escondida por um investigador e pelo advogado dele. Há dez meses, Lauro Malheiros Neto pediu o afastamento do cargo depois de denúncias de suposto favorecimento a um policial, Augusto Pena, que acabou preso acusado de extorquir dinheiro de integrantes do PCC.

Uma cópia do DVD está em poder de promotores de justiça que combatem o crime organizado. Eles apuram o suposto esquema de venda de cargos dentro da polícia civil. E o comércio de sentenças de processos administrativos para manter profissionais corruptos na corporação.
O advogado de Celso Valente disse que o cliente dele foi vítima de uma cilada. Lauro Malheiros Neto nega as acusações e disse que quer prestar depoimento ao Ministério Público o quanto antes.

Segundo o secretário de segurança pública de São Paulo, a corregedoria da policia civil deve ouvir Celso Valente e os investigadores ainda esta semana.

“Lamentavelmente, tudo aponta para um esquema de corrupção atingindo o alto escalão da Secretaria de Segurança de São Paulo. A corrupção corroe as polícias brasileiras de alto a baixo, sob as vistas da população, que, indefesa, vê, perplexa, o crescimento da criminalidade. O nosso sistema de segurança está esgotado. É caro e ineficiente. E precisa ser reformado de cabo a rabo. Uma reforma profunda, que os vários governos não tem tido a coragem de iniciar, devido ao emaranhado político e corporativo que sustenta o atual estado de coisas.”, Boris Casoy.

Fonte: Jornal da Band

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