Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

No último dia 17/02, em editorial, a Folha de S.Paulo criticou a vitória de Hugo Chávez em referendo na Venezuela, no qual o atual presidente conquistou o direito de disputar a reeleição quantas vezes quisesse. No entanto, o texto causou imensa polêmica ao classificar o período do Regime Militar brasileiro como “brando”, se comparado a outros períodos de ditadura no continente. Para ilustrar sua opinião, o diário fez uso de neologismo e cunhou a palavra “ditabranda”.

A afirmação do diário causou reação de leitores que enviaram cartas de repúdio. Entre os que se manisfestaram, estão o jurista Fábio Konder Comparato e a cienstista política Maria Victoria Benevides. Após publicar cartas de ambos, em que a atitude do jornal era duramente criticada, o mesmo classificou a indignação de Comparato e Benevides como “cínica e mentirosa”, posto que, segundo a Folha, “os dois, até hoje, não expressaram repúdio à ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba”.

No entanto, as reações contrárias à declaração não vieram apenas de fora do jornal. O editor-chefe da editoria “Brasil”, Fernando de Barros e Silva, no último dia 24, escreveu editorial discordando da afirmação da Folha. Para ele, a afirmação do jornal “parece servir, hoje, para atenuar a percepção dos danos daquele regime de exceção, e não compreendê-lo melhor”, afirmou.

Barros e Silva lembra que, por mais que o regime brasileiro tenha vitimado menos pessoas que o chileno ou argentino, se constitui um erro determinar qual foi mais cruel. “Algumas matam mais, outras menos, mas toda ditadura é igualmente repugnante. Devemos agora contar cadáveres para medir níveis de afabilidade ou criar algum ranking entre regimes bárbaros?”, questionou.

A diretora da ONG “Tortura Nunca Mais”, Rose Nogueira, declarou à reportagem do Portal IMPRENSA que a atitude da Folha de S.Paulo “é absurda”. “É uma falta de respeito com a história do País e com todas as pessoas que foram torturadas e sofreram durante esse regime”, salientou.

Em comunicado enviado ao diário em nome da ONG, Rose lembra que “se hoje é possível publicar o que bem entende, sem censura alguma, deve isso às centenas de mortos sob tortura e aos milhões de pessoas de bem que usaram do legítimo e universal direito de resistir, durante 21 anos e das mais variadas formas de luta, a um governo autoritário e desumano, instalado por um golpe de Estado contra a democracia”.

O texto diz, ainda, que o editorial “ofende a inteligência do leitor e a memória da parte da humanidade vítima de atrocidades cometidas pelo autoritarismo”. À IMPRENSA, Rose lembrou que a comparação do regime brasileiro com outros é “descabida”, pois “mesmo que apenas uma pessoa tivesse sido torturada, isso já caracterizaria um crime contra toda a humanidade”.

Fonte: Portal Imprensa

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