O senador Pedro Simon (RS), presidente do PMDB no Rio Grande do Sul, admitiu que seu partido olha para a sucessão presidencial de 2010 com “visão negocial”. A admissão significa reconhecer que o partido também olha as eleições estaduais, que ocorrerão paralelamente no próximo ano, também estão no balcão de negócios. O PMDB oscila entre o apoio a Dilma Rousseff (PT) ou a adesão a José Serra (PSDB). Ou seja, uma parcela do PMDB irá “se vender” para o PT e a outra para o PSDB. Em qualquer circunstância, este partido “negocista”, conforme o senador Pedro Simon, estará participando do próximo governo. E não só em Brasília. Pedro Simon diz que o PMDB ficará com quem “pagar mais”.

É aí que ele erra. Se se refere à eleição presidencial, o PMDB não vai ficar integralmente com apenas uma candidatura, vai se dividir oportunísticamente. “O PMDB está se oferecendo para ver quem paga mais e quem ganha mais”, disse Pedro Simon. As declarações de Pedro Simon chegam atrasadas em relação à entrevista do senador pernambucano Jarbas Vasconcelos (PE) para a revista Veja, na qual ele disse que “boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção”. Pedro Simon criticou a entrevista de Jarbas Vasconcelos, com a inacreditável frase: “todos praticam corrupção”.

Ou seja, o PMDB apenas não seria diferente dos outros partidos. Pedro Simon é um senador que tem feito sua carreira exclusivamente em cima do lema da “corrupção”. Ele se apresenta como “o incorruptível”. Mas, como agora admite, se seu partido é “corrupto”, então ele convive muito bem com a corrupção há muito tempo. Pedro Simon disse que a fisiologia que marca a ação do PMDB não nasceu sob Lula, e que deu-se coisa semelhante na gestão de Fernando Henrique Cardoso: “O PMDB fez de tudo para agradar o Fernando Henrique e conseguiu carguinhos. Agora faz a mesma coisa com Lula”. Simon disse que o declínio moral do PMDB começou em 1994, na sucessão do então presidente Itamar Franco. É mais um grande erro de Pedro Simon.

O PMDB nacional se liquidou quando aceitou que José Sarney assumisse no lugar de Tancredo Neves morto. Tudo por medo dos militares. Os peemedebistas, começando por Pedro Simon, não compreenderam que o povo brasileiro não admitiria mais militares, que queria democracia. E deixaram Sarney assumir para a Arena continuar no poder, agora civil. Foi ali que o PMDB se enterrou. Como a Argentina se enterrou no momento em o presidente Alfonsín decretou anistia em um país onde a barbárie da ditadura militar tinha promovido um genocídio de mais de 30 mil mortos. Políticos costumam ter uma visão muito curta na análise dos períodos históricos, e mais curta ainda quando se refere ao período no qual eles desempenham a sua ação.

Do site Vide Versus

Fonte: http://www.adjorisc.com.br/