A internet ganhou ares de palanque virtual com a presença de blogs e sites de personalidades do noticiário político interessados em maior visibilidade. A ferramenta é utilizada para publicar opiniões, receber depoimentos de apoio e divulgar notícias. “Se o político for hábil, no sentido de levantar questões que possam ampliar o debate público, isso enriquece as possibilidades (de ser notado)”, afirma Alessandra Aldé, professora de comunicação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e pesquisadora de blogs sobre política. Aldé defende que, além de ter o reconhecimento do público, é preciso gerar polêmica na rede para atrair a atenção do internauta.

É o que fazia, antes mesmo de aderir à plataforma virtual, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM), avalia a professora. “Desde o primeiro mandato, ele se popularizou no Rio como o prefeito maluquinho, porque fazia eventos de mídia. Ele varreu o Sambódromo, pediu picolé no açougue, fez uma série de pequenos factóides que ganhavam visibilidade.” Em seu endereço, que ainda hoje se apresenta como o “site oficial do prefeito da cidade do Rio de Janeiro”, é possível ler notícias e artigos do democrata, conhecer sua biografia e participar de um jogo da memória cujas peças são as imagens de realizações que Cesar Maia teria feito no Rio, como a Cidade da Música e o Parque Aquático Maria Lenk. O site do agora ex-prefeito, criado em 2005, distribui um informativo diário a 32 mil internautas cadastrados no endereço. Recentemente, ele também criou uma página no site de relacionamento Twitter.

Corrupção – Mas não são apenas os políticos que exploram a rede. O delegado da Polícia Federal que conduziu a Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, criou um blog no qual lançou uma campanha contra a corrupção no país. É nesse endereço que ele recomenda ainda livros e filmes para os internautas.

“Pense num cabra macho… amigo, se você se candidatar à Presidência algum dia, já tem meu voto”, afirma um dos depoimentos para o delegado. Os especialistas avaliam que os resultados do “palanque virtual”, no entanto, não são constatados nas urnas. Pelo menos por enquanto. Isso porque a internet no Brasil ainda não teria o poder de conquistar os votos do eleitorado. Até porque, afirma José Eisenberg, pesquisador do Centro de Políticas Públicas e Avaliação Educacional da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), migrar para a internet “não é uma trajetória frequente dos políticos brasileiros. Eles estão mais preocupados com o exercício da política em si, seja lá o que entendam por isso”, ironiza. Além disso, apontam os especialistas, o público dos sites ainda é restrito — o que não diminui sua importância, uma vez que os freqüentadores de blogs e sites de políticos são, na verdade, formadores de opinião. “Quem fala tem de estar autorizado a priori por esse público a dar seu depoimento”, afirma Eisenberg.

Fonte: Uai.com.br