CARACAS – Os venezuelanos aprovaram, em referendo, a emenda constitucional que permite ao presidente Hugo Chávez disputar um número ilimitado de reeleições consecutivas, informa o primeiro boletim divulgado pela autoridade eleitoral do país. Segundo os números oficiais divulgados, votaram pelo “sim” á reeleição ilimitada 6.000.594 eleitores, ou 54,36%. O “não” obteve 45,63%, o que corresponde a 5.040.082 votos. Foram considerados nulos 199.041 votos, ou cerca de 2%. Compareceram às urnas 67% dos eleitores venezuelanos.

Após o anúncio da vitória, uma multidão de apoiadores do presidente se concentrou diante do palácio do governo, aos gritos de “Uh! Ah! Chávez não se vá!” e em meio á explosão de fogos de artifício, os bolivarianos entoaram o hino nacional venezuelano e aplaudiram o líder, que os saudava de um balcão.

“Trata-se de uma vitória da verdade e da dignidade da pátria”, disse Chávez, depois de tomar conhecimento do resultado. “É uma vitória clara do povo e da revolução”, prosseguiu. “Triunfou a verdade contra a mentira, ganhou a dignidade da pátria contra os que negam a pátria”. O presidente afirmou, ainda, que o “sim” “se impôs por uma clara maioria. Abrimos, de par em par, as portas do futuro.

Mais cedo, o ministro das Finanças da Venezuela, Ali Rodriguez, havia dito que há “uma tendência irreversível” de aprovação da reforma constitucional. A oposilção, por sua vez, zombou no “triunfalismo” do governo.

Eleitores dos dois lados da questão disseram que a decisão é crucial para o futuro da Venezuela, um país profundamente polarizado. “Hoje, meu destino político está sendo decidido”, disse o presidente à tarde, quando a disputa ainda estava em andamento. “O futuro do país está em jogo”. O toque de clarins acordou os venezuelanos antes do amanhecer, e longas filas formaram-se antes mesmo de as seções eleitorais de abrirem, às 6h00 da manhã.

Pessoas que votaram pelo “sim” disseram que Chávez deu as pobres da Venezuela comida a preços baixos, educação gratuita e atendimento de saúde de qualidade, além de oferecer um discurso de luta de classes a uma população oprimida por décadas de governos alinhados com os ricos. Como nenhum sucessor surgiu nas fileiras chavistas, eles temem por um retrocesso quando o presidente deixar o poder.

Já os que optaram pelo “não” dizem que Chávez já acumula poder demais, controlando os tribunais, o legislativo e o conselho eleitoral. A remoção do limite de 12 anos consecutivos de governo para o presidente, dizem, fará com que ele se torne incontrolável.

“Se vencer, ele vai ficar sem limites e nos fará ficar como Cuba, porque é o que realmente quer”, acusou a estudante universitária Adriana Hernandez, de 19 anos. “vai baixar leis por decreto e perseguir a propriedade privada”.

Os dois lados alegaram que pesquisas de boca-de-urna, cuja divulgação é ilegal, garantiam-lhes a vitória. Liderada por um movimento estudantil, a oposição, fragmentada, fez campanha com o slogan “Não é Não”, numa referência ao plebiscito de 2007 que já buscava ampliar o tempo do presidente no cargo, e que foi derrotado.

Fonte: Estadão

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