Ele é um dos cerca de 500 deficientes contratados por dez bancos. Treinamento será realizado e patrocinado pela Febraban.

Há cerca de três anos, Francisco Luzimar Alves Delmondes, 43 anos, vive em albergues e se vira de bicos na cidade de São Paulo. Desde que perdeu quase toda a visão aos 29 anos, por causa de um descolamento de retina, sua vida não tem sido fácil. 

“Eu trabalhava como inspetor de qualidade em uma empresa, mas é um cargo que exige uma boa visão e eu não tinha mais como verificar os produtos e as medidas em milímetros”, lembra-se ele, que só tem 50% de visão em um dos olhos. 

Ele conta que passou a trabalhar, então, no mercado informal. “Eu fazia panfletagem e trabalhava na construção. Tudo o que aparecia.” 

No entanto, ele tem andado radiante. A partir desta segunda-feira (2), ele começa a fazer um curso de treinamento de seis meses para depois ir trabalhar num banco. E o melhor de tudo, irá receber salário e benefícios nesse tempo todo.

 Ele é uma das cerca de 500 pessoas com algum tipo de deficiência (auditiva, visual ou física) que foram contratadas para trabalhar em dez bancos (BIC, Bradesco, Citibank, Indusval, Itaú, Real, Safra, Santander, Unibanco e Votorantim).

Treinamento – O treinamento, realizado e patrocinado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), varia de 6 a 15 meses de acordo com o histório escolar de cada um. Trata-se do Programa Febraban de Capacitação Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência do Setor Bancário.

 Sua realização acontece em parceria com a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Trabalho, a Uni Sant’Anna, o Cursinho da Poli e a Consultoria iSocial. A apresentação do programa será feita na tarde desta segunda-feira no hotel Novotel São Paulo – Center Norte. 

Os alunos começam as aulas com registro em carteira e salário inicial de R$ 616,40, para jornada de quatro horas, além de vale-refeição, cesta-alimentação, Participação nos Lucros e Resultados, vale-transporte, seguro de vida e plano de saúde. Depois de 90 dias, o salário sobe para R$ 675,76.

Esperança – Tudo isso deixa o futuro aluno Francisco Delmondes esperançoso. “Vou poder, finalmente, sair do albergue, que é algo que quero muito. Vai ser maravilhoso poder voltar ao mercado de trabalho e reativar a minha vida.”

 Solteiro, o pernambucano ainda não contou a novidade para os parentes que vivem em Guarulhos. “Vou fazer isso logo. Não quero que chegue até eles só notícia ruim. As coisas boas são para ser divididas também.”

Fonte: G1