Belém, 31 jan (EFE).- O Fórum Social Mundial, que desde 2001 prega que o modelo capitalista está em crise, concluiu hoje os debates de sua 9ª edição, sem conseguir formular uma resposta uniformizada à ameaça de recessão global.

Durante cinco dias, os ativistas discutiram o chamado “Socialismo do Século XXI”, que é promovido pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Além disso, debateram possíveis rupturas radicais com o sistema e reformas dentro do modelo capitalista, mas não chegaram a nenhuma conclusão clara ou única, e as ideias apresentadas se diluíram em confusos labirintos dialéticos.

Houve consenso, sim, quanto à “não serventia” do atual modelo e à necessidade de serem buscadas alternativas que o Fórum Social não conseguiu elaborar, o que, segundo seus organizadores, se deve à diversidade que caracteriza esta plataforma, integrada por mais de cinco mil movimentos sociais de aproximadamente 130 países.

Os participantes do evento também coincidiram ao condenar a “cultura do consumo” e ao defender a substituição dela pela “cultura da solidariedade”. Mas em relação a esse ponto, também não foram apresentadas propostas concretas.

Essa incapacidade foi criticada hoje, sem papas na língua, pelo sociólogo português Boaventura de Souza Santos, que disse que “se o Fórum Social não der uma solução, (o Fórum Econômico Mundial de) Davos (Suíça) o fará”.

A solução que provavelmente virá de Davos, segundo o intelectual português, “será mais capitalismo e menos direitos”, por isso o Fórum Social “está obrigado a apresentar soluções reais”, disse.

Sobre essas propostas, há delas para todos os gostos.

O deputado venezuelano Filinto Durán, por exemplo, disse que a crise tem que ser discutida no âmbito das Nações Unidas, que devem liderar o debate para a construção de “uma nova arquitetura econômica e financeira, que tenha como centro as necessidades reais do ser humano e não o consumismo”.

Já para o ativista filipino Walden Bello, diretor da Focus in the Global South, uma rede integrada por movimentos sociais de quase 50 países, a ONU não conseguirá solucionar nada se não passar por uma profunda reforma que lhe faça mudar a forma como enxerga o mundo em desenvolvimento.

O Fórum Social Mundial termina amanhã, quando membros de seu comitê internacional farão um balanço da 9ª edição e anunciarão seu “calendário de mobilizações” para este ano.