Todo ano são infectadas com o HIV (vírus que causa a Aids) cerca de 3 mil pessoas na Espanha (não há dados exatos). Delas, cerca de 80% foram infectadas por uma pessoa que não sabia que tinha o agente causador da doença. É o que se deduz das palavras do diretor geral da Saúde Pública, Ildefonso Hernández, na terça-feira durante a jornada Juntos para um Diagnóstico Precoce, que se realizou em Madri.

À falta de uma cura e de uma vacina, a melhor maneira de evitar que o HIV se propague é atacá-lo pela raiz: que as pessoas infectadas saibam disso e tomem as medidas de proteção próprias (para evitar infecções oportunistas) e alheias (para não transmitir o vírus). Essa é a principal conclusão da reunião. Para isso é preciso estender o chamado teste de Aids (na verdade uma análise que detecta o HIV) sobretudo entre as pessoas que tiveram uma prática de risco. Calcula-se que na Espanha haja entre 130 mil e 150 mil pessoas contaminadas e que 30% não saibam disso.

Especialistas médicos, do Plano Nacional sobre Aids e de ONGs discutiram na terça-feira as possibilidades de convencer todos os possíveis envolvidos a fazer o teste. Com isso não só melhoraria sua saúde e seu futuro (hoje há medicamentos que permitem manter a infecção controlada por muito tempo, embora não a curem), como ajudaria a romper a cadeia de novas transmissões.

Maiores de 40 anos – Nas conclusões da jornada, Josep Maria Gatell, do Hospital Clinic de Barcelona, destacou que há dois grupos de população que são especialmente avessos a fazer o teste: os maiores de 40 anos e os heterossexuais. Em troca, como indicou Jordi Casabona, do Departamento de Saúde do governo autônomo catalão, mais de 80% dos homossexuais fizeram testes pelo menos uma vez na vida. As mulheres que se dedicam à prostituição também são mais conscientes se estiveram em uma situação de risco e se analisam. A mensagem “Faça o teste”, no entanto, vai pegando entre a população. Em 2007 foram feitos mais de 1 milhão de testes, enquanto em 2002 foram 400 mil, segundo a secretária do Plano Nacional sobre Aids, Teresa Robledo.

Fonte: El País / UOL

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