Talvez a grande descoberta científica para 2009 seja o tão aguardado genoma sintético prometido pelo Instituto Venter de Pesquisa. Os rumores começaram tempos atrás, quando Craig Venter anunciou a busca por uma forma de vida sintética. A estratégia seria a de sintetizar um microrganismo (no caso, um tipo de bactéria, a Mycoplasma genitalium G37), com 582.970 pares de base (a unidade básica do DNA) e 482 genes, um dos menores genomas conhecidos até agora.

O desafio é grande. Não por falta de conhecimento, pois já acumulamos conhecimento suficiente sequenciando uma série de microrganismos, inclusive bactérias desse tipo. Então, qual seria o problema?

O primeiro obstáculo é tecnológico. A síntese de oligonucleotídeos (pequenas sequências de DNA) é um processo químico que funciona muito bem com fragmentos pequenos, mas é impreciso e instável com trechos maiores. Por exemplo, é possível sintetizar oligos perfeitos com até aproximadamente 150 pares de bases. A equipe de Venter (uns vinte cientistas liderados pelo Nobel Hamilton Smith, um dos descobridores das enzimas de restrição) conseguiu sintetizar pedaços de 5.000 bases num surto tecnológico, mas ainda assim ineficaz.

A solução para montar o um genoma inteiro seria um quebra-cabeças de pequenos oligos. Isso foi feito recombinando pedaços sintéticos de 5-7.000 bases. Pedaços maiores intermediários foram então clonados e amplificados em bactérias. O produto final foi obtido também por recombinação, mas dessa vez em leveduras, remontando o genoma inteiro. A equipe está agora sequenciando tudo isso novamente, para confirmar a correta montagem.

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