A compra de 50% do banco Votorantim pelo Banco do Brasil por R$ 4,2 bilhões, anunciada nesta sexta-feira, conclui mais um capítulo do processo de consolidação bancária no Brasil, acirrando a briga pelas primeiras posições do ranking.

Aberta em outubro de 2007 com a compra do ABN Amro Real pelo Santander, essa última rodada ganhou força no último trimestre do ano passado, na esteira da crise global.

Tudo com a bênção do governo federal, que editou uma série de medidas para facilitar o processo, incluindo a Medida Provisória permitindo que bancos federais pudessem comprar participações em instituições privadas.

“O fortalecimento do sistema bancário no Brasil é importante diante dessa crise”, afirmou o ministro da Fazenda Guido Mantega a jornalistas, ao comentar a compra do Votorantim pelo BB, a segunda compra do banco estatal em menos de dois meses.

Em novembro, o BB já oficializara a aquisição do também estatal Nossa Caixa junto ao governo de São Paulo por R$ 5,39 bilhões. Antes, já havia comprado pequenos bancos estaduais, como o Banco do Estado do Piauí (BEP) e o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).

Com tudo isso, o BB chegou à marca de R$ 553,3 bilhões em ativos, número insuficiente no entanto para retomar a liderança do setor que lhe foi tomada em novembro, quando Itaú e Unibanco anunciaram uma fusão que criou um dos 20 maiores conglomerados financeiros do mundo, com cerca de R$ 575 bilhões em ativos.

O processo de consolidação foi também intensificado em outra frente. Com as portas fechadas para continuar financiando operações, os bancos menores foram obrigados a repassar suas carteiras para instituições com maior escala, a reboque do afrouxamento nos depósitos compulsórios, que liberou ao sistema cerca de R$ 100 bilhões.

Para João Augusto Frota Salles, analista sênior da consultoria RiskBank, passado o que até agora parece ser o olho do furacão e dada a ausência de possibilidades viáveis de novas transações no curto prazo, a concentração bancária no Brasil deve entrar em recessso.

Segundo ele, de um lado, os grandes players internacionais que atuam no varejo, como Citibank e HSBC, embora enfraquecidos internacionalmente, não dão mostras de que pretendam se desfazer de suas operações no Brasil.

De outro, bancos de pequeno e médio portes tendem a se especializar em nichos de mercado, seja em crédito consignado, empréstimos a empresas ou financiamento a compra de automóveis.

“No médio prazo, consolidação bancária no Brasil, pelo menos a que foi provocada pela crise, acabou”, diz.

Mas o País sairá da crise com um processo de concentração não desprezível. Em setembro, antes das grandes fusões recentes, os cinco maiores bancos do país detinham 75% dos depósitos do sistema financeiro nacional. Agora, apenas os grupos Itaú-Unibanco e BB detêm quase metade do total

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