O ano no qual a humanidade deveria fechar um novo acordo contra o aquecimento global começa com uma má notícia nesse front: dados publicados nesta sexta-feira mostram que a Grande Barreira de Coral da Austrália, um dos ecossistemas mais frágeis do mundo, já está sendo afetada pelo excesso de gás carbônico na atmosfera pelo menos desde 1990 –um efeito que os cientistas só esperavam ver a partir de 2020.

Um estudo publicado hoje no periódico científico “Science” por uma equipe do Instituto Australiano de Ciência Marinha detectou uma redução de 13,3% na taxa de crescimento dos corais ao longo de 2.000 km de extensão da barreira desde 1990. É o maior declínio visto nos últimos 400 anos, pelo menos.

Estudando 328 colônias de coral do gênero Porites em 69 recifes espalhados por toda a Grande Barreira, o grupo liderado pelo oceanógrafo Glenn De’ath notou uma redução em alguns casos drástica na velocidade à qual esses organismos se calcificam, ou seja, aumentam seu exoesqueleto.

Parecidos com cogumelos gigantes, os Porites crescem depositando anualmente camadas do mineral aragonita (carbonato de cálcio), formando anéis de crescimento análogos aos das árvores. Como algumas das colônias da Grande Barreira têm mais de 400 anos de idade, De’ath e seus colegas conseguiram contar a história de vida desses organismos ao longo desse prazo, cruzando os dados de calcificação com as condições ambientais.

Os dados assustaram os pesquisadores: quase todas as amostras datando de 1990 a 2005 mostravam sinais fortes de redução de calcificação: uma taxa média de 1,44% de redução ao ano.

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