crescimentoNa contramão do resultado nacional, o Estado do Ceará registrou desempenho positivo na geração de emprego, segundo dados do Ministério do Trabalho.

Em um mês de saldo negativo na geração de emprego no País (-40.821), o Ceará destaca-se com o terceiro melhor desempenho em novos postos de ocupação formal em novembro. Foram 31.608 admitidos contra 27.363 desligados, o que resulta em saldo de 4.245 empregados – metade do saldo nordestino (8.287). O Estado ficou atrás apenas do Rio de Janeiro (17.547) e do Rio Grande do Sul (8.036), segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgados ontem.

Juntas, as admissões dos setores de comércio e serviço (19.042) representam 60% de todas as vagas geradas em novembro (31.608) no Estado, o que confirma a projeção de bons resultados dos especialistas dos setores. Por outro lado, o desligamento foi forte nos ramos da construção civil (4.909) e da indústria de transformação (7.319), o que forçou dados negativos para estas atividades.

Os especialistas consultados pelo O POVO fazem coro para dizer que é natural as baixas nos meses de novembro e, principalmente, dezembro, por conta dos empregos temporários. O diretor de Estudos e Pesquisas do Sistema Nacional de Empregos / Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT), Júlio Macambira, diz não achar que a crise financeira internacional tenha influenciado os resultados de novembro. “É cedo para fazer qualquer relação da crise financeira internacional com o emprego formal, que é bastante volátil neste período do ano e em micros e pequenas empresas”, diz.

Ele avalia que, em 2009, os reflexos da crise serão sentidos no primeiro semestre do ano, com um crescimento menos acelerado dos trabalhos seletivos. Apesar disso, mostra-se otimista. Para o próximo ano, estima um crescimento de 10% a 12% na geração de emprego no Estado.

Ao contrário de Macambira, o secretário executivo do MTE, André Figueiredo, utiliza a crise financeira para explicar baixas em estados com grandes companhias e multinacionais, como São Paulo (-20.884) e Minas Gerais
(-33.921). “A questão é que houve uma queda no volume de empregos na indústria de transformação (-80.789). Grandes empresas demitiram”, analisa. Além disso, por uma questão sazonal, os setores agropecuária (-50.522) e construção civil (-22.731) puxaram maus resultados.

Figueiredo comenta que os números negativos de 15 dos 26 estados pesquisados mais o Distrito Federal influenciaram decisivamente no destaque nacional do Ceará em novembro, que, inclusive, fechou outubro com desempenho melhor, 4.300 novos postos preenchidos. Nos onze meses de 2008, foram gerados 47.200 mil empregos formais no Estado, uma variação de 6,80%. A ocupação formal cai para 45.359, quando se fala dos últimos dozes meses.

Fonte: http://www.opovo.com.br/opovo/