Banco é alvo de rumores, como a compra do Citi no País

Os principais executivos do Bradesco andam incomodados por uma cobrança insistente. Desde a união entre Itaú e Unibanco, quando o Bradesco perdeu o distintivo de maior banco privado do país, a praça financeira especula qual será seu próximo passo. Vai comprar algum banco? A aposta, ontem, era que ele pretende comprar as operações do Citigroup no Brasil. Ou vai aceitar que ficou para trás e tocar a vida do jeito que está? “Não vejo o Bradesco comprando por comprar”, disse ontem Domingos Figueiredo de Abreu, diretor-executivo do banco.

O discurso na Cidade de Deus, sede do Bradesco, é de que a instituição não fará loucuras para dar o troco no Itaú – comprando outras instituições a qualquer preço.De acordo com esse raciocínio, o banco tentará crescer abrindo mais agências e captando novos clientes. “É claro que a gente gostaria de comprar e crescer rapidamente. Mas comprar o quê? Não há mais banco razoável para adquirir”, diz outro executivo, que prefere não ter seu nome citado.

A versão corrente no mercado, no entanto, é que o Bradesco negocia com o Citi. Os dois lados negam. Mas, na semana passada, um dos principais executivos do Bradesco, do time que normalmente participa das aquisições do banco, esteve na sede do Citi, em Nova York. O Bradesco nega que tenha interesse no Citi e afirma que o executivo que foi a Nova York estava lá para fazer apresentações de rotina a investidores.

Nos últimos meses, o Bradesco iniciou conversas com o banco Votorantim, da família Ermírio de Moraes, mas considerou o preço alto demais. Avaliou também a possibilidade de negociar a aquisição do banco Safra. A idéia surgiu em outubro, quando o Bradesco negociou uma carteira de crédito do Safra, de R$ 1 bilhão. Na ocasião, entendeu-se que a maior atração da instituição é seu dono, o banqueiro Joseph Safra, e sem ele seria difícil manter todos os clientes. Por meio de sua assessoria de imprensa, o Bradesco afirmou ter investido até agora R$ 6, 2 bilhões na compra de carteiras de crédito.

O principal problema do Bradesco é que a oferta de instituições que ele poderia adquirir hoje é mínima. Por isso, por mais bancos que compre, será difícil encurtar a distância em relação aos concorrentes da frente. Terceiro maior banco do País, o Bradesco tem R$ 422 bilhões de ativos. O Itaú-Únibanco tem R$ 575 bilhões e o Banco do Brasil, que comprar ou Nossa Caixa, tem R$ 512 bilhões.

Ficar atrás do BB, um banco público, nunca incomodou o Bradesco. A ameaça, além do novo Itaú-Unibanco, é a ambição dos espanhóis do Santander, que depois de comprar o Real afirmaram ter o objetivo de transformar o Santander no maior banco em operação no Brasil. Hoje ele é o quarto do ranking. “Os executivos do Bradesco são profissionais”, diz um deles. “Aqui não interessa ser líder ou ser segundo. O que interessa é ter lucro. É nisso que estamos pensando”.

Fonte: Jornal Estadao

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