No auge da crise financeira, coisa de duas semanas atrás, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trataram de um assunto que tem sido recorrente nos dois últimos governos: valeria a pena uma fusão entre o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal?
O processo de concentração bancária em curso devido à atual crise financeira deu nova pertinência a essa pergunta. E a anexação do Unibanco pelo Itaú, negócio que criou o maior banco brasileiro e um dos 20 maiores do mundo, fez muita gente na cúpula do governo voltar a pensar numa fusão BB-Caixa.

Há argumentos contra e a favor. Os bancos seriam complementares em algumas áreas. O BB é muito forte no financiamento agrícola. A Caixa é poderosa em habitação. A área de seguros é forte nas duas –haveria vantagens numa união.

Mas as duas instituições têm redes bancárias que se sobrepõem em muitas cidades, até mesmo em localidades pequenas. Não faria sentido manter duas agências num mesmo quarteirão numa grande cidade ou numa mesma cidadezinha. Provavelmente, haveria pelo menos um programa de demissão voluntária, o que daria pano para manga com o sindicalismo bancário.

Por isso, o governo Lula avalia que é melhor deixar esse debate avançar a partir da transição para o próximo governo. Lula terminará o mandato em 2010. A partir de 2011, com um cenário pós-crise mais claro, a nova administração teria cacife político para, se julgar adequado, dar esse passo. Seria criado um enorme banco, com capacidade de ação no mercado maior do que as duas instituições têm hoje.

O Itaú-Unibanco é o primeiro do ranking brasileiro. Concretizado o negócio, a números de hoje, possuirá ativos de R$ 509 bilhões. O BB está em segundo lugar, com R$ 403,4 bilhões em ativos. A Caixa ocupa a quarta posição, com R$ 264,4 bilhões em ativos. É só fazer a conta e ver o tamanho do cacife do que seria o casamento dos dois principais bancos públicos do país. Seriam R$ 667,8 bilhões em ativos.

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