O Banco do Brasil reagiu com pressa à perda da liderança entre os maiores bancos brasileiros. Uma semana depois do anúncio da união entre o Itaú e o Unibanco, o BB prepara uma nova rodada de compras. Segundo pessoas ligadas ao banco, a instituição está perto de fechar três aquisições: a Nossa Caixa, pouco menos da metade do capital do banco Votorantim e o modesto Banco do Estado do Piauí (BEP).

O anúncio das aquisições poderá ser feito durante a reunião do Conselho de Administração do Banco do Brasil, marcada para segunda-feira, em Brasília. Oficialmente, o BB informa apenas que na reunião do Conselho serão analisados os dados do balanço do terceiro trimestre, que será divulgado ao mercado na quinta-feira.

Se as aquisições forem confirmadas, o BB não vai recuperar a liderança perdida para o Itaú-Unibanco, mas vai se aproximar do novo líder. Segundo pessoas ligadas ao BB, o banco não vai se dar por satisfeito. Já está olhando bancos estaduais, como o Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul), e bancos privados pequenos e médios.

Além do BB, o Bradesco estudou a Nossa Caixa e o Votorantim. Mas desistiu da Nossa Caixa depois que uma decisão judicial determinou que depósitos judiciais só podem ser administrados por bancos públicos. Se comprasse a Nossa Caixa, o Bradesco não poderia ficar com R$ 16 bilhões em depósitos judiciais do banco de São Paulo.

O Bradesco já havia conversado com o Votorantim, mas havia desistido do negócio. Com a união do Itaú-Unibanco, voltou a negociar com o banco da família Ermírio de Moraes. Mas, enquanto o Bradesco hesitava em dar um lance, o BB foi mais agressivo. E sua oferta atende a uma exigência dos Ermírio de Moraes, de continuarem como majoritários no banco, para não serem controlados por uma estatal.

Pelo acordo que está sendo costurado, a família manterá o comando da área de investimentos e da tesouraria, enquanto o BB ficará com a disputada BV Financeira, que concentra as áreas de financiamento de veículos, crédito pessoal, consignado, cartão de crédito e seguros.

O Votorantim, por sua vez, está tentando mudar seu modelo de negócios. Com uma rede de apenas 14 agências, capta poucos recursos com clientes pessoas físicas. Como a liquidez do sistema financeiro secou, a tendência de mercado é o fortalecimento dos bancos com grandes redes de agências.

O processo de incorporação do Banco do Estado do Piauí pelo BB também avançou. Embora o processo de compra de uma parte ou de toda uma instituição financeira seja complexo e demorado, o BB não quer perder tempo para dar um sinal de força ao mercado. Enquanto isso, o Bradesco também tenta reagir e analisa fazer uma proposta pelo Safra.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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