Maria Francineuda e o certificado do curso de Costura  Foto: Fábio Lima

Fortaleza/CE – Histórias de mulheres capacitadas em projeto da Prefeitura retratam que elas desejam sair do programa e viver melhor

Resgate da auto-estima. Essa é a certeza de quem conversa com algumas das mulheres beneficiadas com o Bolsa Família. Confesso que pensei, ao entrevistá-las, que iria me deparar com reclamações, desesperança, falta de brilho no olhar e ouvir inúmeras desculpas de quem ainda necessita do dinheiro mensal para permanecer dependentes a ele por tempo indefinido.

Pelo contrário. A boa surpresa se aplica a todas que participam do projeto Inclusão Produtiva. Elas parecem rejuvenescidas, apesar de tantas lutas pela sobrevivência. O que percebi, assim que “bati os olhos” nelas, foi de que é chegada a hora de realizar seus sonhos. “Nunca pensei que iria ter alguma chance na vida”, conta Maria Francineuda Santos, de 36 anos de idade, mãe de dois filhos. Assistida pelo Bolsa Família há cinco anos e concludente do curso de Costura, do Inclusão Produtiva, ela não esconde a felicidade de já estar trabalhando com encomendas de uma grife feminina. “Ainda não recebi nenhum centavo, somente quando entregar o lote”, diz. A primeira coisa que fará com o dinheiro ganho? Francineuda não tem dúvidas. Irá pagar a parcela da máquina de costura comprada com a ajuda do marido. “O resto será usado para me arrumar melhor”, sorri mais uma vez.

O exemplo de Francineuda é parecido com todas as 1.500 mulheres selecionadas do projeto. Elas dividem o tempo dos cursos com o dia-a-dia familiar. Muitas encontram ainda a resistência dos companheiros. “Meu marido chegou a me proibir de assistir aulas, mas eu saía quase escondida e vinha para o Cras (Centro de Referência da Assistência Social)”, narra Clévira Belo de Souza, de 36 anos. Ela é beneficiária do PBF há quatro anos e diz que ele representou um passe para se sentir viva, “pela primeira vez na minha vida”.

O cartão, por sinal, é guardado “há sete chaves” pela maioria como tesouro. É considerado o bilhete para a cidadania. “Quando recebi o primeiro benefício, corri e comprei comida e material escolar”, emociona-se Clévira ao relembrar da cena. “Fico sem palavras”. E olhe que foram apenas R$ 30,00. “Muita gente acha que isso não é nada, mas para nós, é tudo de bom”, avalia.

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