São Paulo – Funcionária da empresa Telemax, terceirizada que presta serviços à Telefônica, Tatiane Mello de Jesus, 27, foi presa ontem no trabalho sob acusação de desviar linhas telefônicas fixas para celulares de membros da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo a promotora Sandra Reimberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do ABC, Tatiane cobrava cerca de R$ 70 para desviar uma linha fixa para o telefone celular de membros do PCC e dava uma garantia de sete dias de uso –período que o sistema da Telefônica leva para fazer uma varredura e detectar a fraude.

Para aplicar o golpe, Tatiane usava uma senha da operadora e reativava linhas fixas que estavam paradas na região –prefixos 4654, 4655 e 4656.

Com o serviço de desvio de chamadas da própria operadora, ela as redirecionava para celulares de integrantes do PCC.

Foram descobertos até agora 40 números fixos que recebiam chamadas a cobrar e que são investigados como reabilitados por Tatiane. As 40 linhas foram repassadas para presos entre junho e outubro deste ano e causaram prejuízo de cerca de R$ 95 mil para a Telefônica.

No último ano, a Telefônica detectou 5.158 linhas com esse tipo de fraude e estima um prejuízo de R$ 890 mil no Estado. Empresa e Promotoria querem saber quantas delas foram desviadas por Tatiane.

Entre os clientes de Tatiane está Marcelo Rossinholi. Ele é o principal integrante do PCC no ABC. Da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (611 km de SP), ele chefia as ações criminosas do grupo por celular.

Tatiane foi flagrada em escutas telefônicas ao negociar linhas com o presidiário Alexsandro Gerônimo. Acusado de integrar o PCC, ele está preso em Guarulhos (Grande SP) e era o principal intermediário das vendas das linhas. Ontem, a mulher dele, Samantha Cristine Gonçalves, foi presa ao mesmo tempo que Tatiane.

Tatiane é mulher de Wilson Fernando Batista, 26, preso na Penitenciária de Irapuru (631 km de São Paulo). Ela foi presa sob a acusação de furto qualificado (por abuso de confiança, já que ela usava uma senha da Telefônica para desviar as linhas), formação de quadrilha, associação para o tráfico e também por desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação.

Fonte: Folha On Line

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