RIO – A Record confirmou anteontem a venda dos direitos das Olimpíadas de Londres de 2012 para a Globosat e, discretamente, soltou fogos de alegria. A festa só vai acontecer mesmo quando a transação tiver o OK do Comitê Olímpico Internacional (COI), que vai garantir o negócio de aproximadamente US$ 22 milhões. É a primeira vez que a Record comanda um esquema desse porte. No passado, era o canal que comprava da Globo os direitos do Campeonato Brasileiro e Paulista. Velhos tempos aqueles.

Uma fonte da direção da Record garante que a venda vai ser positiva para os dois lados. Mas é claro que a exclusividade para a TV aberta nas mãos da Record vai mexer com o mercado publicitário brasileiro e até com a liderança nos índices de audiência.

– Vamos gozar da mesma audiência que a TV Globo conquistou durante as Olimpíadas de Pequim, que não foi pequena. Mas temos uma outra grande vantagem. O fuso horário de Londres está a nosso favor: serão apenas de três a quatro horas à frente do Brasil. Veremos os jogos às 20h ou 22h, e não de madrugada, como aconteceu este ano – explica um executivo da emissora.

Em média, o Ibope da TV Globo durante os Jogos Olímpicos foi de 15 pontos. A grande festa de abertura registrou 19 pontos, com 23% de participação.

– Vamos ter uma outra relação com o mercado publicitário e com os telespectadores. Na hora dos jogos, todo mundo vai querer ver os representantes do Brasil, a performance do atleta, de maneira individual ou coletivamente. Tudo atrai o público.

A Record, que também tem os direitos da transmissão dos jogos para as outras mídias, como internet – já vendidos por US$ 7 milhões para o Portal Terra – rádio e telefonia, sabe que vai conquistar outros parceiros com a aproximação da data do evento.

Ao calcular seu investimento de US$ 60 milhões firmado em 22 de maio de 2007, o canal vê que já abateu praticamente 50% desse valor com a Globosat (leiam-se canais SporTV) e com o Terra, sem falar nas várias cotas de patrocínio que serão firmadas a partir do ano que vem. O executivo da Record explica que há uma hierarquia na seleção de patrocínios. Têm prioridade, por exemplo, os que anunciaram nas olimpíadas anteriores.

Depois da contratação do jornalista Maurício Torres, que deixou a TV Globo, a Record começa a selecionar outros profissionais com experiência em assuntos esportivos. A equipe do departamento, que fica em São Paulo, tem 40 pessoas e vai crescer bastante. Além de Londres, a emissora tem também nas mãos os direitos dos Jogos Olímpicos de Inverno, de Vancouver, em 2010, e dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México, em 2011. Assim, os três maiores eventos esportivos dos próximos anos serão exibidos pelo canal.

– Os contratos com Vancouver e Londres foram assinados num pacote só – afirma o representante da Record, que tentou, mas não conseguiu, os direitos da transmissão da Copa do Mundo.

Sobre a presença da torcida, o executivo afirma:

– Se já apareceram muitos brasileiros em Pequim, imagina nas Olimpíadas de Londres.

A estratégia da emissora, que tem como slogan “A caminho da liderança”, começou em 2004, ao dar início aos investimentos em dramaturgia (com o remake de um sucesso da Globo, a novela A escrava Isaura), na compra de filmes e de programas esportivos. A assinatura com os estúdios da Universal e a compra de séries de sucesso, como House e Seinfeld , fizeram parte desse movimento, que incluiu a aquisição dos estúdios de Renato Aragão, no Rio.

A ampliação da área, de 40 mil para 200 mil metros quadrados, em Vargem Grande e a construção de mais cinco estúdios, no total de oito, também mudaram o mercado da teledramaturgia brasileira. Foram abertas novas vagas em todas as áreas de produção, gerando maior competitividade.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/

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