FORTALEZA – Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec) lançaram uma polêmica: Fortaleza teria sido fundada por portugueses em 25 de julho de 1604 e não em 13 de abril de 1726, como constam os registros oficiais.

A nova tese veio depois que escavações próximas à foz do rio Ceará identificaram que ruinas de construções antigas tinham óleo de baleia na composição. O produto era usado ‘de forma muito primitiva, quando não havia alternativa, para impermeabilizar as paredes’ explica o historiador Adauto Leitão. Além disso eles também apontam outros indicativos, como por exemplo a data de construção de igrejas e monumentos, alguns, como a Igreja Matriz de Messejana que este ano completou 401 anos.

– Também existem documentos na biblioteca de Lisboa e Madrid, que nós já consultamos, que mostram que tudo começou ali no Forte de Santiago e não no Forte de Nossa Senhora de Assunção, como todo mundo aprende – explica Leitão.

– É uma vergonha descobrir a história da nossa terra fora dela – completa, em desabafo, o pesquisador Adauto Leitão.

A tese já foi tema de debate na Câmara Municipal e já foi aprovada pelos vereadores. Na próxima quarta-feira o projeto de lei volta ao plenário e se aprovado segue para sanção da prefeita.

– É uma coisa fundamentada na ciência, não tem como não levarmos isso adiante – comenta o autor do projeto de lei, vereador Idalmir Feitosa, do PSDB.

Ele admitiu que nunca havia prestado atenção, mas os anais da Câmara já contam que a instituição tem mais de 300 anos. – Como é que a filha foi existir antes da mãe? Uma câmara realmente não pode existir sem a cidade antes – concluiu.

Até hoje, oficialmente, Fortaleza tem 282 anos.

Fonte: Jornal do Brasil

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